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Chegamos da festa às duas e meu marido me encostou na porta

por Carol Tavares · 28 de set. de 2026

Chegamos em casa às duas da manhã, ainda rindo da festa, e o corpo latejava de cansaço misturado com outra coisa que eu não conseguia nomear.

O vestido preto grudava no peito e nas coxas, de tanto dançar. Os saltos doíam nos pés, mas a sensação era boa, eu tinha usado o corpo inteiro aquela noite. Na barriga, uma agitação que não era só vinho. Eu queria chegar logo, tirar os saltos, mas ao mesmo tempo não queria que a noite acabasse ali no corredor.

Ricardo girou a chave e abriu a porta. Antes de eu dar um passo, ele me empurrou de leve contra a madeira, o corpo dele bem perto do meu. O corredor tava escuro, só a luz amarela tremendo de leve na mesinha. Eu encostei as costas na porta e fiquei ali, rindo baixo.

— Lembra quando a gente não conseguia nem chegar no quarto?

Eu ri de novo, um riso curto, sem saber direito o que responder. Meu coração batia forte, e eu sentia o cheiro dele misturado com o vinho que ainda estava na boca. O vestido marcava o corpo, a respiração dele estava perto da minha testa.

O silêncio ficou um pouco mais pesado. Eu não mexi. Ele também não. Só ficamos ali, os dois parados, como se alguém tivesse apertado pause no meio do corredor.

A luz do corredor piscou quando ele estendeu o braço e tocou no interruptor. O amarelo do abajur se misturou com uma claridade mais suave que veio do teto. Ricardo ficou olhando pra mim, sem pressa, como se quisesse ver tudo que a luz nova deixava aparecer.

— Eu tava pensando na gente, descendo do táxi agora há pouco. Como você segurava minha mão no banco de trás, apertava os dedos quando a gente parava no sinal.

Ele sorriu de canto, a barba por fazer marcando o queixo. Eu olhei pro lado, sem saber o que dizer. O silêncio parecia maior agora que a luz tinha mudado. Meu coração ainda batia forte, mas era um tipo diferente de batida, mais lenta.

— Você lembra que a gente ia pra casa e acabava dormindo no sofá? Porque não chegava nem no quarto.

Eu ri baixo, mas não respondi. A camisa dele estava aberta no colarinho, a gravata pendurada de qualquer jeito. Os ombros pareciam mais largos assim, como se a festa tivesse deixado ele mais relaxado, mais presente.

— Eu tava contando pros meninos do trabalho sobre aquele dia que a gente viajou pro sul, e você dormiu na janela do ônibus com a cabeça no meu ombro. Eles ficaram rindo de mim.

Ele baixou a cabeça um pouco, olhando o chão do corredor, depois levantou os olhos de novo. Eu senti o pescoço quente, mas não me mexi. A madeira continuava fria nas minhas costas, marcando através do tecido fino do vestido.

— A gente era tão novo, Marta. Tinha um monte de coisa que a gente não sabia.

A voz dele saiu rouca, baixa, como se ele tivesse falado pouco nas últimas horas. Eu olhei pros ombros dele de novo, reparando em como a camisa social marcava os músculos, em como ele parecia maior do que eu lembrava. O olhar dele demorou mais um pouco, e eu não desviei o meu.

A luz amarela do corredor tremia de leve, e eu via o reflexo na camisa dele, a gravata torta. Ricardo ficou ali, um passo de distância, como se estivesse medindo o ar entre a gente.

— Sabe, quando a gente desceu do táxi, eu olhei pra você e pensei que você ia descer e ir direto pra cama, sem nem tirar o vestido. Eu ia ficar aqui no corredor, sozinho, com vontade de voltar pra festa só pra dançar de novo.

Eu ri, um riso que saiu baixo, quase sem som. Meu pescoço estava quente, mas eu não mexi, só fiquei olhando pra ele. A curva do meu corpo estava marcada no vestido preto, a cintura apertada, o decote que descia quando eu respirava.

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— Depois eu pensei que você ia me puxar pra dentro, e eu ia deixar. Só que aí eu lembrei de como você ficava quando a gente chegava em casa depois de dançar a noite toda, e eu percebi que a gente ia acabar dormindo no sofá de novo.

Ele sorriu de canto, os olhos descendo um pouco antes de subir de novo. Eu via que ele reparava na forma como o tecido marcava o peito, como a barra do vestido caía justo nas coxas. Ele não falou nada, só ficou olhando.

O silêncio ficou mais denso. Eu sentia o vinho na minha boca, o gosto ainda forte, misturado com o cheiro dele. Ele não se mexeu, mas eu via que ele queria, que ele estava segurando.

— Você tá tão gostosa nesse vestido ainda — ele disse, a voz rouca, baixa.

Eu olhei pro lado, pro abajur que tremia, pro chão de madeira do corredor. Meu coração batia forte, mas era diferente agora. Eu sabia que ele estava reparando em tudo, na forma como o vestido marcava o corpo, no jeito que eu estava parada ali, encostada na madeira.

— Eu tava pensando em quando a gente ia pra casa e acabava dormindo no sofá. Porque a gente não chegava nem no quarto. Eu lembro de você me carregando no colo, rindo.

Ele riu também, um riso curto, rouco. Eu vi que ele olhava pra minha boca agora, pra forma como eu respirava. O corredor parecia menor, a luz amarela mais intensa.

— Eu quero que a gente faça isso de novo — ele falou, os olhos ainda na minha boca, na curva do meu corpo no vestido. — Só que hoje eu não quero dormir no sofá. Eu quero ficar acordado.

Eu não respondi. Só fiquei ali, sentindo o calor subir pelo pescoço, a madeira fria nas minhas costas. O olhar dele demorou mais um pouco, descendo devagar, subindo de novo, como se ele estivesse vendo tudo que o vestido deixava ver.

A luz amarela tremia de leve no fundo do corredor. Ricardo deu um passo a mais, o hálito dele chegando quente, misturado com vinho tinto.

— A gente nunca aprendeu a esperar, né.

A voz saiu baixa, quase sem sair. Eu senti o ar dele encostar no meu pescoço, a barba por fazer roçando de leve a pele. Meu corpo ficou quieto, só a respiração mudando.

— Eu tô segurando desde o táxi.

Ele parou a um centímetro da minha boca. Eu também não me mexi. O coração parecia que ia sair pela garganta, mas nenhum dos dois fechou a distância. O cheiro do vinho ficava preso entre a gente.

— Então para de segurar.

Ele me beijou com fome, os lábios abertos, o gosto do vinho passando pra minha boca. A mão grande dele desceu pelas minhas costas, quente por cima do vestido fino. Eu soltei um som baixo contra os lábios dele, sem tirar a boca.

Ele apertou minha bunda por cima do tecido, os dedos grandes marcando o contorno. Eu me empurrei contra a mão dele, sentindo o peito dele subindo e descendo rápido. A porta de madeira continuava fria nas minhas costas.

O vestido começou a subir devagar nas coxas. Ele puxou o tecido pra cima com uma mão só, sem pressa, enquanto a outra continuava apertando minha bunda. Eu sentia o ar do corredor tocando a pele que ia aparecendo.

— Deixa eu te ver assim um pouco mais.

A voz dele saiu rouca, a boca ainda perto da minha. Eu não respondi, só fiquei ali, sentindo as mãos dele subindo de novo, apertando a cintura por cima do vestido, depois descendo devagar até o cós.

A respiração dos dois ficou presa. Eu ouvi o tecido esticar quando ele apertou de novo, o vestido subindo mais um pouco, as coxas aparecendo. A luz amarela tremia na mesinha, batendo na gravata torta dele.

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