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Porta trancada

por Lú Menezes · 28 de set. de 2026

Cheguei cansada mas com o corpo já formigando de expectativa e sentei na cadeira giratória. A saia lápis apertava na cintura, a blusa fina deixava o ar-condicionado bater direto na pele. O zumbido baixo da máquina enchia o escritório vazio.

Abri o notebook e voltei pro documento. As letras pareciam pequenas demais naquela hora, e eu precisava reler as mesmas linhas três vezes pra entender. Meu pé balançava devagar embaixo da mesa, a sola batendo contra o carpete.

Olhei o celular e vi que já eram quase oito da noite. A luz amarelada do abajur refletia na tela, e o copo de café que eu trouxera mais cedo continuava ali, frio, com uma mancha escura na borda.

A porta rangeu. Renan entrou com a pasta embaixo do braço, olhou em volta como se quisesse confirmar que estávamos sozinhos. Ele fechou, girou a chave devagar e a tranca deu um clique seco que pareceu ecoar no corredor vazio.

Ele se encostou na beira da mesa, de lado, com o peso do corpo fazendo a madeira ranger baixo. O copo de café ficou balançando um pouco ao lado dele. A camisa social branca esticou nos ombros, marcando o corte dos ombros dele.

— Relaxa, a gente resolve. Tranquei a porta pra ninguém interromper a gente.

Eu olhei pra tela do notebook, mas não tava lendo nada. Meu dedo ficou parando no mouse sem clicar em nada. O zumbido do ar-condicionado parecia mais alto agora.

— Você trancou mesmo? Tá com medo de alguém ver a gente discutindo processo?

Ele soltou uma risada curta, quase um suspiro. O abajur amarelo batia no lado do rosto dele, deixando a barba por fazer mais escura.

— Medo de perder o prazo, é só isso. E de você me deixar aqui sozinho pra resolver.

A pasta dele ficou ali aberta, com umas folhas pra fora. Ele não se mexeu pra arrumar. Meu pé parou de balançar embaixo da mesa. Eu vi a manga dele dobrada no antebraço, a pele dele mais clara que a minha.

— Você acha que eu ia te abandonar com esse monte de papelada? — perguntei, tentando manter a voz normal.

Ele olhou de novo, demorando mais do que precisava. Eu senti que ele tava olhando pra minha boca antes de voltar pros meus olhos. A cadeira giratória rangeu quando eu me endireitei.

O texto no notebook continuava ali, mas eu não conseguia mais fingir que estava lendo. Renan tinha sorrido de lado quando eu mencionei o prazo do recurso, aquele sorriso que ele dá quando sabe que o outro já tá enrolado na conversa.

— Você sabe que eles vão pedir prorrogação de novo — ele falou, a voz mais baixa que o normal. — A gente já viu isso três vezes esse mês. É sempre a mesma história: eles pedem, a gente cede, e no final quem fica até tarde somos nós.

Ele mudou o peso do corpo na mesa, a pasta escorregou um pouco pra frente. Eu vi a manga da camisa dele subir, o antebraço dele aparecendo por baixo da dobra. Ele não puxou a manga pra baixo.

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— Semana passada você me falou que ia sair cedo pra ir no aniversário da sua sobrinha — lembrei, olhando de volta pra tela. — E aí terminou ficando até depois das dez.

Ele deu uma risadinha curta, quase rouca. O abajur amarelo fazia uma linha fina de sombra na barba dele, do queixo até o pescoço.

— A aniversariante era menor de idade, ia dormir cedo mesmo — ele respondeu, mexendo na alça da pasta sem realmente fechar. — Eu só usei de desculpa pra sair. Na real eu fiquei no carro no estacionamento, respondendo e-mail.

Eu balancei a cabeça, fingindo que achava graça. Meu dedo parou no botão do mouse de novo, sem apertar. A saia apertava na minha coxa quando eu cruzei as pernas, e eu senti o tecido frio da cadeira contra a pele.

— Você é péssimo mentindo, Renan.

Ele não respondeu na hora. Eu vi que ele tava olhando pro meu pescoço agora, pro colarinho da blusa. O zumbido do ar-condicionado parecia ter ficado mais lento, ou eu que estava ouvindo mais. Meu pé parou de balançar embaixo da mesa.

Ele se inclinou um pouco mais e eu senti o cheiro dele chegando antes da boca. Café misturado com algo quente de pele e algodão limpo.

— Hábito perigoso. Mas hoje o andar tá vazio... e eu não consigo parar de olhar pra sua boca.

Eu não respondi. Só fiquei olhando pra linha da barba dele, pra boca que tava a centímetros da minha. A respiração dele batia na minha bochecha, quente, curta. Eu ouvia o próprio coração batendo mais forte que o ar-condicionado.

Ele levantou a mão devagar, os dedos grandes roçando minha têmpora, e puxou um cacho que tinha caído de novo. O toque dele era firme, mas demorava. Ele não tirou a mão logo.

— Você fez isso semana passada também — falei, a voz saindo baixa. — Tá virando hábito?

Ele sorriu de canto, quase sem som. Meu quadril encostou na borda da mesa, a madeira fria contra a parte de trás da coxa. Ele estava tão perto que eu sentia o calor da camisa dele.

— Talvez eu queira que vire — ele respondeu, rouco.

A mão dele desceu do cabelo pra minha cintura, devagar, sem pressa, como se estivesse testando. Ele apertou, puxou, e eu fui. Meu quadril bateu na mesa, a saia subiu um centímetro. Eu senti o zíper dele roçando no meu quadril.

Ele me beijou. Forte. A boca quente, a barba raspando na pele. A mão que estava na cintura desceu até minha bunda, apertou por cima da saia lápis, os dedos abrindo, sentindo o formato. Eu soltei o ar dentro da boca dele, os ombros dele largos tampando minha visão.

— Renan — falei, quase sem som, a boca ainda na dele.

Ele apertou mais. A madeira da mesa rangia devagar contra minhas coxas. Eu senti o pau dele endurecendo por cima da calça, encostando na minha barriga quando ele me puxou mais pra frente. Minha mão subiu até o peito dele, os dedos abertos na camisa branca.

Ele respirou fundo, a boca descendo pro meu pescoço, mordendo devagar. A mão dele apertou minha bunda de novo, os dedos grandes abrindo e fechando no tecido. Eu senti o zíper dele puxando um pouco da blusa fina.

— Eu quero te ver sem essa saia — ele falou contra minha pele, rouco. — Mas se a gente parar agora...

Eu não respondi. Só puxei ele mais perto, sentindo o corpo dele pesado contra o meu, a mão dele apertando minha bunda como se não quisesse soltar nunca. O ar-condicionado zumbia baixo. Meu quadril se mexeu contra ele, sem querer.

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