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Pedi pro motorista do aplicativo desviar pro mirante às 3h

por Manu R. · 28 de set. de 2026

Cheguei em casa exausta depois de mais um dia de leituras densas, mas a cabeça ainda girava com vontade de esquecer tudo. Tomei banho rápido, vesti a saia preta curta e o top justo, e saí sozinha. Na balada dancei até o cansaço virar tesão acumulado, e agora voltando de madrugada o latejar entre as pernas não tinha passado.

Desci do carro e o ar frio da madrugada bateu nas minhas coxas. A saia era curta demais para aquele vento, mas eu não me importei. A cidade lá embaixo piscava luz alaranjada, pequena e quieta.

Virei pra Matheus ainda com o sorriso que a balada tinha me deixado. O corpo dele ocupava o banco do motorista, o perfume amadeirado escapando pela janela aberta junto com o cheiro de couro velho do carro. Ele sorriu de volta, torto, sem dizer nada.

— Essa viagem tá sendo bem mais divertida do que eu esperava, Matheus.

Ele riu, a voz grave depois de horas sem falar.

— Pra mim também.

O vento batia na lataria, um som constante que se misturava com o silêncio do mirante. Eu olhei de novo pra cidade, mas meu olhar acabou voltando pra ele, pra maneira como as mãos descansavam no volante. A gente ficou ali, sem pressa, só respirando o mesmo ar frio da madrugada.

O som do motor morreu de repente, e o silêncio do mirante tomou conta do carro. O vento continuou batendo na lataria, como se tivesse vontade de entrar. Eu olhei pro painel, pro jeito como a luz verde marcava as horas, e percebi que a gente tinha parado por um motivo que nenhum dos dois ia falar.

Ele tirou a mão do volante e esfregou a palma na coxa, como quem tenta acordar a perna. Eu reparei no antebraço dele, na linha de músculo que aparecia quando ele mexia, na pele marcada de sol. A barba por fazer dava um relevo no maxilar que eu não tinha visto antes, e fiquei olhando mais tempo do que devia.

— Você que é engraçada, ri de tudo — ele falou, quase rindo da própria frase.

Eu sorri sem olhar pra ele, mexendo o pé contra o tapete do carro. O couro do banco rangeu quando eu me remexi. Eu não sabia se ele estava me provocando ou só falando o que via.

— Para aqui no mirante rapidinho? Quero ver a cidade lá embaixo com calma — falei, mas a voz saiu mais baixa do que eu pretendia.

Ele concordou com a cabeça e ficou olhando pra frente, pro nada, como se a cidade precisasse de permissão pra ser vista. O perfume amadeirado dele misturado com couro velho parecia mais forte agora que o carro estava parado. Eu girei o anel no dedo, um gesto automático, e percebi que ele estava olhando pra minha mão.

— Não sabia que você gostava de ver cidade — ele disse.

Eu dei de ombro, o tecido do top roçando no ombro contra o vidro da janela. O olhar dele demorou na minha coxa, onde a saia tinha subido um pouco quando eu me mexi, e depois voltou pro meu rosto. Eu não tirei o olhar dele, deixei ele sentir que eu tinha percebido. O vento batia mais forte na porta do carona, e eu respirei fundo, percebendo que o ar tinha mudado de temperatura só porque a gente estava quieto.

A tela do celular iluminou meu colo por um segundo antes de eu desligar. A balada tinha acabado, mas a gente ainda tava ali, presos dentro daquele carro que cheirava a couro quente e a ele.

— Tava pensando em postar uma foto lá de cima — falei, girando o aparelho entre os dedos sem vontade de abrir de novo.

Ele virou o corpo um pouco no banco pra me olhar melhor. O couro rangeu debaixo dele, e eu reparei na maneira como a mão dele fechou no encosto.

— E não postou por quê?

— Porque parecia que ia estragar o que tava acontecendo aqui — respondi, baixando o celular no colo. — Tipo, sei lá. Às vezes a gente posta uma coisa e aí já não é mais só nosso.

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Ele ficou quieto, o maxilar marcado pela barba por fazer mexendo quando engoliu em seco. Eu podia ouvir ele respirando, um som que misturava com o vento batendo na lataria.

— E o que tá acontecendo aqui? — ele perguntou, a voz grave devagar, como se testasse o terreno.

Eu dei de ombro. Meu olhar escorregou pra mão dele de novo, para aqueles dedos grossos que pareciam saber exatamente o que fazer se quisessem.

— Nada. Só a gente olhando pra cidade — falei, mas minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — E fingindo que não tá rolando uma coisa aqui dentro.

Ele riu, um som que saiu do peito e fez meu estômago apertar. Eu vi quando ele olhou pra minha boca, rápido, antes de desviar pra janela.

— Você sempre fala assim? Tipo, jogando na cara sem jogar?

— Só quando a outra pessoa também tá sentindo — respondi, mordendo o canto do lábio sem perceber. — E você tá.

O vento bateu mais forte na porta do carona, e eu me mexi no banco, a saia subindo mais um centímetro na coxa. Eu não puxei de volta. Ele não tirou o olhar.

A palma da minha mão desceu pela coxa dele, sentindo a costura grossa do jeans contra a pele. O couro do banco rangeu quando eu me inclinei um pouco mais, e meu dedo seguiu o caminho até o meio da perna, onde o tecido estava mais quente.

Ele respirou fundo, o peito subindo. O maxilar marcado pela barba por fazer apertou quando ele virou o rosto pra mim. O cheiro amadeirado dele ficou mais forte no carro parado.

— Continua aí que eu não vou reclamar — ele falou, a voz grave quase sumindo no final.

Eu parei a mão no joelho dele, sentindo os dedos dele se fecharem no meu pulso por um segundo. O vento bateu na lataria, um som que encheu o silêncio entre a gente. Meu polegar fez um círculo pequeno no tecido, só pra ver se ele ia tirar a mão. Não tirou.

— Tô com medo de parar — respondi, quase num fio de voz.

Ele soltou meu pulso devagar, como se soltasse a própria respiração. O banco rangeu quando ele se inclinou pra frente, e eu vi o olhar dele descer pra minha boca antes de voltar pros meus olhos. O vidro encostou no meu ombro quando eu me mexi pra frente também.

O rosto dele ficou a centímetros do meu. Eu sentia o ar quente saindo da boca dele, misturando com o ar frio que entrava pela janela aberta. Meu coração batia tão forte que parecia que ele ia ouvir.

Ele levantou a mão e segurou meu queixo. Os dedos ásperos roçaram minha pele, e eu fechei os olhos por instinto. O beijo veio forte, a boca dele abrindo a minha num segundo, a língua quente entrando sem aviso.

Eu gemi baixo contra a boca dele, sentindo o peso da barba por fazer no meu queixo. Minha mão subiu até o peito dele por cima da camisa, sentindo o músculo firme debaixo do tecido fino. Ele beijou mais fundo, os dentes roçando meu lábio inferior.

Ele apertou minha coxa com a mão livre, os dedos abrindo caminho pela saia curta. O calor da palma dele queimou contra minha pele, subindo até quase tocar o cós.

— Tô molhada — falei contra a boca dele, a respiração já saindo presa.

Ele riu, o som vibrando no peito que eu ainda segurava. Os dedos dele apertaram mais forte na minha coxa, quase doendo, e eu abri mais as pernas no banco. O beijo voltou, mais urgente agora, a língua dele entrando e saindo da minha boca num ritmo que já parecia ensaiado.

Minha saia subiu mais um pouco quando ele puxou minha coxa pra cima, abrindo espaço pro corpo dele se inclinar sobre o meu. O vidro encostou mais forte no meu ombro, e eu me remexi, querendo sentir mais dele.

Ele puxou minha saia um pouco mais pra cima, o tecido enrugando na cintura. Eu sentia o pau dele duro por cima da calça, encostando na minha coxa quando ele se aproximou mais. Os dedos dele pararam no cós da saia, esperando.

— Se eu continuar você vai querer ir pro banco de trás — ele falou, a voz rouca, a mão ainda segurando minha coxa.

Eu puxei ele pra frente pelo colarinho da camisa, sentindo o botão apertar contra meus dedos.

— Então me leva.

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