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Elevador travado, vinte minutos e o cara da loja ao lado

por Paty Sampaio · 28 de set. de 2026

Entrei no elevador de serviço no fim do expediente, o corpo cansado mas a mente já agitada com ele. Tava quente lá dentro, o ar parado, a blusa grudando nas costas. A cabeça não parava quieta desde que tinha visto ele na porta da loja ao lado.

O dia inteiro tinha sido assim. Cada vez que a porta abria olhava rápido pra ver se era Otávio trazendo alguma encomenda. O coração batia mais forte, precisava disfarçar, fingir que tava só ocupada com o celular.

Otávio entrou logo atrás, sorrindo daquele jeito que já deixava sem jeito desde o começo. Apertou o botão do térreo e ficou do lado, os ombros ocupando espaço. A caixa pequena parecia ainda menor com ele ali.

— Oi, Otávio, que dia hein? Ainda bem que acabou.

— Foi longo, né? — ele respondeu, encostando na parede. — Mas pelo menos acabou.

O elevador deu um solavanco forte e parou entre dois andares. A luz de emergência acendeu, soltando um zumbido baixo que encheu o espaço. Segurei no corrimão, o coração batendo diferente agora.

Otávio pegou o celular e ligou pra manutenção. A voz dele saiu séria, mas percebi que tava olhando de canto. Depois de uns segundos desligou e guardou o aparelho no bolso.

— Eles falaram que demora uns vinte minutos — ele disse, passando a mão na barba por fazer. — A gente fica aqui um tempo.

Otávio tirou o crachá devagar, passou a mão pelo bolso antes de guardá-lo. O plástico fez um barulho pequeno contra a calça. Ficou olhando depois disso, um sorrisinho de lado que parecia ter saído sem ele perceber.

— Pois é, Daniela, mas agora que tô aqui com você, nem parece que trabalhei tanto.

Ri baixo, sem graça, puxando o cabelo pra trás da orelha. O ar tava quente, mas de repente parecia ter ficado ainda mais parado. A luz amarela da emergência batia nele de lado, iluminando a barba por fazer.

— Você sempre diz essas coisas no cafezinho, mas hoje a gente tem tempo de verdade — falei, tentando manter a voz leve.

Ele riu, um riso curto que pareceu vir da garganta. A mão grande dele ficou parada no bolso, o polegar batendo devagar contra a coxa por cima da calça.

— É verdade isso — ele respondeu, olhando pro chão do elevador por um segundo antes de voltar os olhos. — Mas hoje é diferente, né?

Assenti, sentindo o olhar dele ficar um pouco mais demorado do que o normal. Os dedos foram até o botão do casaco, abrindo devagar, o tecido saindo dos ombros. Quando tirei, o ar bateu na pele do braço.

Otávio olhou. Não disfarçou. Os olhos passaram pelo corpo, parando no decote da blusa, depois subindo devagar até o rosto. O sorriso continuou ali, mas agora parecia estar preso entre os dois.

Segurei o casaco na frente do corpo, sem saber se guardava ou deixava cair no chão. O zumbido da luz encheu o silêncio entre a gente. O cheiro dele, colônia misturada com suor, veio mais forte quando ele se mexeu um pouco.

— Tá quente aqui, né? — comentei, só pra preencher o espaço.

O zumbido da luz de emergência parecia mais alto agora que parou de falar. Encostei a cabeça na parede, o metal frio contra o couro cabeludo, e olhei pra ele de novo. Os ombros dele ocupavam quase toda a largura do elevador, e a barba por fazer marcava a linha do queixo de um jeito que dava vontade de passar a mão.

Ele percebeu que tava olhando e mudou de posição, encostando um ombro na parede ao lado. O tecido da camisa esticou um pouco. Vi a linha do pescoço dele, o jeito como a barba começava a crescer mais grossa ali embaixo.

— Eles vão demorar mesmo uns vinte minutos — ele repetiu, mas a voz saiu diferente, mais baixa. — Tempo suficiente pra conversar direito, sem pressa.

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Ri, um riso que saiu curto e meio nervoso. O dedo traçou o zíper do casaco que ainda segurava na mão, abrindo e fechando a aba devagar. O calor dentro da caixa pequena parecia aumentar a cada segundo que passava.

— Conversar sobre o quê? — perguntei, sem conseguir tirar os olhos da barba dele. — Sobre como você sempre chega na loja suado de carregar caixa?

Ele sorriu, aquele sorrisinho de lado que apareceu antes, e passou a mão grande pelo queixo. Vi os dedos ásperos encostando na pele, fazendo um barulho leve de atrito contra a barba.

— Pode ser. Ou sobre como você sempre fica vermelha quando eu paro pra tomar café. — Ele inclinou a cabeça um pouco. — Ou sobre por que a gente nunca parou pra conversar de verdade fora da loja.

O cheiro dele chegou mais forte quando ele se mexeu, colônia misturada com o cheiro do dia inteiro de trabalho. Inspirei devagar, o ar quente entrando no peito. O casaco pesava na mão, mas não conseguia decidir se largava ele no chão ou continuava segurando.

— Talvez porque a gente sabe que conversar não é tudo que a gente quer fazer — falei, a voz saindo mais rouca do que pretendia. — E aí complica.

Ele não respondeu. Só ficou olhando, os olhos parados no rosto por um tempo que pareceu longo demais pra ser casual. Segurei o olhar dele, sentindo o calor subir pelo pescoço, sabendo que o ar entre a gente tinha mudado de jeito.

A luz amarela tremeluzia, pintando sombras no metal. Inclinei o corpo na parede, o casaco ainda pendurado no dedo, e deixei o olhar dele me puxar.

— O dia foi um inferno de tanta gente pedindo pra trocar mercadoria. Você viu o tanto de caixa que desci pra devolução?

— Vi sim — ele respondeu, dando um passo pra perto. — Tive que carregar duas pra você, lembra?

Sorri, sentindo a garganta apertar. Ele se aproximou mais, a respiração dele quente no rosto, o cheiro da colônia misturado com o suor do dia todo subindo claro.

O coração deu um pulo forte quando os olhos dele desceram até a boca. Quase encostei os lábios, mas parei no meio do caminho, sentindo o ar entre a gente ficar elétrico.

Ele não esperou. Puxou pela cintura com a mão grande e quente, a boca encontrando a minha de repente, urgente, os lábios abertos como se tivesse guardado isso por meses. Soltei o casaco no chão sem querer, as mãos subindo pra apertar os braços dele por cima da camisa, o tecido esticar contra os ombros largos.

Ele me encostou na parede fria, o metal gelado nas minhas costas enquanto o corpo dele esquentava tudo na frente. Abri a boca, a língua dele encontrando a minha, e segurei mais forte nos braços dele, sentindo os músculos tensionarem debaixo dos dedos.

As mãos dele desceram até a cintura, subiram pelas costelas, pararam logo abaixo dos seios, por cima da blusa fina. Senti o polegar dele roçando ali, quase sem tocar, e um arrepio desceu inteiro pela espinha.

— Você não sabe quanto tempo fiquei olhando pra você lá na loja — ele murmurou contra a boca, a voz rouca, a respiração curta.

Respondi puxando ele mais pra perto, os quadris dele encostando nos meus, o volume duro por cima da calça jeans pressionando a barriga. As mãos subiram até o pescoço dele, os dedos afundando na barba por fazer, sentindo a aspereza contra a palma.

Ele desceu a boca pro pescoço, os lábios quentes marcando a pele, a barba fazendo cócegas. Inclinei a cabeça pra trás, sentindo a parede fria na nuca, enquanto as mãos dele apertavam a cintura com mais força, puxando o corpo dele contra o meu.

— Tô louco pra tirar essa blusa — ele falou, os dentes roçando de leve na clavícula, a respiração quente escorrendo pelo decote.

Gemi baixo, as mãos descendo pelas costas dele, sentindo o suor úmido no tecido da camisa. Os corpos pressionados, o calor dentro do elevador subindo, a respiração de nós dois misturada, rápida e irregular. Sentia ele duro contra a barriga, a calça jeans apertada, e não conseguia parar de esfregar ali, sentindo o volume crescer.

— Me beija de novo — pedi, rouca, puxando o rosto dele de volta pro meu.

Ele voltou a beijar com mais fome, uma mão subindo pra segurar a nuca, os dedos ásperos na pele sensível atrás da orelha. A outra mão desceu pela coxa, apertou por cima da saia, subiu até quase o meio das pernas. Abri um pouco mais o joelho, sentindo os dedos dele pararem no tecido justo, roçando onde já tava molhada.

— Se a gente continuar assim — ele falou contra os lábios, a voz falhando um pouco — não vou conseguir parar.

Respondi beijando ele de novo, os dentes batendo nos dele, as mãos descendo até a frente da calça jeans. Apertei por cima do volume duro, sentindo ele pulsar debaixo dos dedos, a calça quente e apertada. Ele gemeu baixo na boca, os quadris empurrando contra a mão.

Os corpos pressionados contra a parede fria do elevador, as mãos ainda por cima da roupa e a respiração presa.

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