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Parede fina

por Bia do 302 · 28 de set. de 2026

Tava suada e inquieta no escuro do apartamento quando ouvi as batidas na porta. O calor do Rio grudava na pele mesmo com o ventilador desligado, e o ar parado carregava um cheiro doce de vela que acendi mais cedo. Meu short curto colava na barriga, nas coxas, e a umidade da testa escorria devagar até o pescoço.

Passei o dia inteiro tentando não pensar. Cada vez que o ventilador dava uma paradinha, o silêncio do prédio me lembrava do barulho que vinha do outro lado da parede nas últimas semanas. Agora, com a energia fora e o calor piorando, era difícil fingir que não escutava cada passo do vizinho.

Andei descalça pela sala, pisando leve nas tábuas quentes do chão. O short subia um pouco a cada passo, e passei a mão no tecido pra baixar de novo, mas ele voltava a subir. Parei na frente da janela aberta, tentando captar algum vento que não vinha.

Três batidas firmes na porta fizeram meu coração subir até a garganta. Fiquei parada por um segundo, com o pulso latejando na nuca. O cheiro da vela misturava com meu próprio suor, e encostei a mão na maçaneta antes de mudar de ideia.

Abri devagar, só o suficiente pra ver o contorno dele contra a claridade fraca do corredor. A lanterna do celular dele estava no chão, apontada pro teto, dando uma luz tremida que subia pelas paredes.

— Oi, Caio... tá tudo escuro pra todo lado, né?

— Tá. Desculpa o horário, mas eu vi você pela fresta da porta e resolvi vir ver se tava tudo bem.

A luz tremida subia pelas paredes e batia primeiro nos ombros dele, largos o bastante pra preencher quase toda a porta. O resto do corpo ficava meio embaçado, só o movimento da respiração e o brilho no queixo úmido de suor.

— Vim ver se você tava bem, Bianca. Tá sozinha?

— Tô. E você? Escutei uns barulhos interessantes vindo do seu quarto outro dia...

Ele deu um risinho curto, quase um pigarro, e baixou a cabeça por um instante. As mãos grandes pendiam ao lado do corpo, as palmas escuras viradas pra dentro, os dedos grossos fechando e abrindo devagar.

— Desculpa aí. Às vezes eu esqueço que a gente ouve tudo.

Segurei a porta aberta um pouco mais, encostando o ombro no batente pra equilibrar o peso. O short subia de novo e deixei. Meu pé descalço roçava o chão quente, a tábua cedendo um pouco a cada balançada pequena.

— Hoje a energia acabou em todo o prédio, né? Tava tentando ler com a luz do celular, mas acabou a bateria.

Ele ergueu o rosto devagar. O olhar parou primeiro nos joelhos, depois subiu pelas coxas até o tecido colado na barriga. A lanterninha no chão ainda iluminava de baixo pra cima, criando sombras longas no rosto dele.

— O escuro me deixa acordado. Fiquei andando no quarto, ouvindo a sirene lá embaixo.

A sirene soou de novo, distante, quase engolida pelo calor. Passei a mão no pescoço, afastando o cabelo suado. O cheiro de vela doce misturava com o cheiro dele, algo úmido que vinha do corredor escuro.

— Eu também. Fiquei na janela tentando pegar um pouco de vento. Não veio.

Ele deu um passo pequeno pra frente, sem cruzar a soleira. A voz saiu mais baixa que o normal, grave, como se ainda estivesse decidindo se ficava ou voltava.

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— Quer que eu deixe a lanterna aqui com você? Tô indo embora agora.

Olhei pra ele, um segundo a mais que o necessário, e ele segurou o olhar. Não sorriu de canto dessa vez, só ficou ali, respirando devagar, os ombros preenchendo a claridade fraca.

A sirene passou lá embaixo outra vez e sumiu na distância. O silêncio do prédio voltou, só que dessa vez parecia mais cheio, como se a gente tivesse ocupado o espaço com o que não estava sendo dito.

— Acho que o síndico vai demorar pra mandar consertar. Ele vive viajando.

— É, já ouvi falar. Meu prédio antigo era pior. Às vezes a gente ficava dois dias sem nada, todo mundo descendo escada com celular na mão.

Ele riu baixo, um som curto que não chegou a abrir o peito inteiro. Os ombros dele balançaram um pouco com isso, e a claridade fraca do celular no chão subiu pelas laterais, marcando o formato dele contra o batente. Segurei o olhar ali por um segundo, só pra confirmar o que já tinha visto, e ele notou.

— Você mora aqui há quanto tempo?

— Uns oito meses. Desde que o aluguel do outro lugar subiu demais.

Ele balançou a cabeça devagar, como se estivesse calculando alguma coisa que não falava. A respiração dele saía regular, e conseguia ver o peito subindo e descendo no ritmo, o tecido da camisa colado no lugar. O cheiro doce da vela misturava com o suor dele e o meu, tudo parado no ar quente da porta.

— E você? Tá aqui há mais tempo?

— Quase um ano. Às vezes sinto que o prédio inteiro tá desabando, mas não sei pra onde eu ia.

Sorri de canto, com o peso do ombro contra o batente. O short subia de novo na coxa e não mexi, deixando ficar. Ele olhou pra baixo por um instante, depois voltou pro meu rosto, e o riso morreu devagar, virando outra coisa.

— Pelo menos a gente não tá no escuro sozinha.

A voz dele saiu mais baixa que antes, quase um rouco que não era de propósito. Segurei o olhar, com o ar úmido grudando na pele, e ele ficou quieto, só respirando devagar enquanto a lanterna continuava tremendo no chão.

A respiração dele ficou tão perto que a gente sentiu o cheiro de suor misturado com o doce da vela. Não mexi, só segurei o ar, com o peito dele subindo e descendo quase encostando no meu.

— Se eu entrar agora, não sei se vou conseguir só conversar.

A frase saiu grave, quase baixa demais pro espaço pequeno. Soltei o ar devagar, com ele parando na ponta da língua.

Ele deu o passo. O pé dele bateu leve na tábua do chão e o ombro passou a centímetros do meu, trazendo o calor do corpo junto. Recuei um centímetro, mas ele não. Ficou ali, preenchendo a entrada.

A respiração dele tocou minha testa primeiro. Depois desceu até a boca. Senti o ar quente subir e descer devagar, como se ele estivesse medindo quanto mais perto podia chegar.

A gente ficou parada no escuro, nenhum dos dois desviando o olhar. A lanterna no chão tremia um pouco, e a claridade fraca subia pelo queixo dele, marcando a linha do maxilar. Meu short colava na coxa. A mão dele parou no ar, a um dedo de distância do meu quadril.

Ele segurou minha cintura por cima da camiseta fina. Os dedos grandes apertaram, chamando. Fui. A boca dele veio firme, sem perguntar, colando na minha num beijo que já tinha tesão guardado. A gente respirou junto, rápido, os narizes batendo.

As mãos dele desceram pelas minhas costas, com o tecido fino grudado na pele. Os dedos espalharam, apertaram a curva da lombar, desceram mais um pouco. Gemi baixo contra a língua dele, com o pau endurecendo contra minha barriga, quente e duro por cima da bermuda.

Ele puxou meu short pela costura, só pra sentir a pele por baixo. Segurei o pescoço dele com as duas mãos, com o suor escorrendo entre os ombros, e ele apertou minha bunda por cima do tecido, apertando os dedos na carne como se quisesse marcar. A respiração dele saiu curta contra minha boca. A gente ficou ali, colado, com o calor que o outro soltava, sem conseguir parar.

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