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Lanterna demorada

por Bia do 302 · 28 de set. de 2026

Tava moída do plantão, a chuva me ensopando todinha, mas o café na mão me deu coragem de ir até a guarita. Os pés latejavam no sapato, a blusa grudava nas costas, e mesmo assim rolava um calor diferente, uma inquietação que vinha me seguindo desde a semana passada.

O carro parou na frente da guarita e eu fiquei ali sentada um instante, olhando pro teto de zinco. A chuva caía forte, sem parar. Tirei a chave da ignição, respirei fundo e saí, cada gota molhando o cabelo que já tava úmido.

Na cozinha, antes de sair, eu tinha preparado o café bem preto. Servi num copo de plástico daqueles que ele gosta, sem açúcar. Fiquei olhando o vapor subir e me perguntei se era só gratidão ou se tinha outra coisa me fazendo querer ver ele.

Caminhei até a guarita, o copo queimando a palma da mão. O coração batia mais rápido do que devia. A lâmpada lá dentro tava ligada, iluminando pouco. Eu via a silhueta dele pelo vidro embaçado.

A porta rangia sempre que alguém abria, e eu abri devagar. Ele tava sentado na cadeira velha de madeira, a barba por fazer mais grisalha do que eu lembrava, os ombros enchendo o espaço pequeno.

— Trouxe um café pra você, pra agradecer por sempre me acompanhar com a lanterna.

Ele ergueu o olhar, a voz grave baixa quando respondeu.

— Obrigado. Tá precisando mesmo.

O cheiro de café se misturou com o de terra que entrava pela porta entreaberta. Eu fiquei parada ali, segurando o copo, sentindo o ar úmido da guarita e o som da chuva no telhado. Eu entrei sem pressa, o cheiro de terra vindo de fora junto com o café que eu ainda segurava.

— Não precisava, mas obrigado. Tá uma noite danada de chuvosa.

A cadeira dele chiou quando ele sentou de novo. Eu me encostei na mesa, a madeira áspera por baixo dos dedos. O copo queimava, mas eu fiquei olhando o vapor subir antes de estender pra ele.

— Semana passada você deixou a lanterna demorando no meu decote... eu não reclamei.

Ele pegou o café e o cheiro forte subiu entre nós dois. Eu vi que a barba dele tava mais marcada na luz da lâmpada. A mão dele pareceu ainda maior quando fechou em volta do copo.

— A chuva tá batendo forte hoje — ele falou baixo, sem tirar os olhos do meu rosto. — Você veio correndo.

Eu ri sem graça e passei a mão no cabelo, que tava mais molhado do que eu pensava. O ar da guarita era quente e úmido, fazendo a blusa grudar um pouco mais nas costas.

— Não corri não. Só não queria que o café esfriasse.

Ele tomou um gole, os ombros relaxando um pouco contra o encosto da cadeira. Eu reparei que ele tinha um jeito calmo de beber, como se tivesse todo o tempo do mundo. A chuva batia mais forte no telhado, enchendo o silêncio entre a gente.

— Plantão foi pesado? — ele perguntou, a voz grave enchendo o espaço pequeno.

Eu assenti, o corpo moído ainda, mas com um tipo diferente de cansaço agora. O olhar dele desceu até o decote da blusa, onde a chuva tinha deixado o tecido mais escuro e colado na pele. Ficou ali demorando, sem disfarçar, antes de voltar pro meu rosto.

A chuva batia mais forte contra o zinco, e o barulho parecia encher todo o espaço da guarita. Eu senti o arrepio subir pelas costas, mas não tirei o olhar dele. Deixei ele ficar ali, descendo de novo pro decote molhado da blusa, sem pressa, como se tivesse todo o tempo pra olhar.

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— O turno tá tranquilo hoje — ele falou, a voz baixa quase sumindo no som da chuva. — Ninguém passa nessa hora. Só eu aqui com as câmeras.

Eu assenti, a madeira áspera da mesa encostada na minha coxa. O café ainda soltava vapor entre a gente, e eu reparei que a mão dele parecia maior segurando o copo. Os dedos calejados pareciam não encaixar direito na coisa fina de plástico.

— E você fica olhando pra elas o tempo todo? — perguntei, tentando manter a voz normal, mas senti que tinha saído mais rouca do que eu queria. — Ou tem coisa mais interessante pra ver?

Ele sorriu de canto, a barba se movendo. Tomou mais um gole do café, demorando pra engolir, e eu vi o olhar dele voltar pro meu peito, onde o tecido escuro marcava a curva da pele.

— Depende do que aparece na tela — ele respondeu, curto, sem tirar os olhos do meu rosto agora. — Às vezes é só chuva batendo no asfalto. Outras vezes... não.

O silêncio voltou, só a chuva e o chiado da lâmpada. Eu passei a mão no braço, a pele arrepiada, e vi que ele reparou no gesto. O ar parecia mais quente agora, úmido demais, fazendo a blusa grudar nas costelas.

— E se eu aparecer na tela? — falei, rindo baixo, quase sem graça. — Você ia ficar olhando também ou ia desligar a câmera?

Ele não respondeu logo. Olhou pra porta entreaberta, onde a água escorria pelo batente, e depois voltou pra mim. A cadeira chiou quando ele se inclinou pra frente um pouco, os ombros ocupando mais espaço.

— Depende do que você tá fazendo — ele falou, a voz mais baixa ainda. — Se tá só passando ou se tá parando pra conversar.

Eu senti o coração bater mais forte, mas não desviei o olhar. O cheiro de terra misturado com café parecia ter ficado mais forte, enchendo o ar entre a gente. A mesa rangia baixinho quando eu mexi o quadril, encostando mais nela.

— E se eu parar pra conversar? — perguntei, deixando a voz sair mais baixa também. — Quanto tempo você ia deixar eu ficar aqui antes de lembrar que tem câmera?

Ele olhou pro monitor do lado, onde a imagem piscava em preto e branco. Depois voltou pra mim, e eu vi que o olhar dele tinha mudado, mais pesado agora.

— Depende se você quer que eu lembre — ele respondeu, sem sorrir. — Ou se quer que eu esqueça por um tempo.

A porta rangeu mais um pouco quando fechei, e eu dei aquele passo pra dentro. O calor do corpo dele parecia encher o espaço todo, misturado com o cheiro de café que ainda subia do copo.

Everton respirou mais fundo, o peito largo subindo e descendo, os ombros enchendo a cadeira como se precisasse de mais espaço pra se controlar.

— Às vezes penso em você passando por aqui toda noite — ele falou, a voz rouca, sem tirar os olhos dos meus.

Eu me inclinei pra frente, a madeira da mesa encostando na minha coxa, e o rosto dele ficou bem perto do meu. Respirei o cheiro dele misturado com a terra que entrava pela porta, e o coração bateu mais forte.

Ele segurou minha cintura com aquelas mãos calejadas, puxando meu corpo contra o dele. A boca encontrou a minha com força, quente e urgente, e eu segurei no ombro dele pra não perder o equilíbrio.

As mãos dele deslizaram por cima da blusa úmida, subindo até os seios. Ele apertou por cima do tecido fino, os dedos espalhando calor pela minha pele.

Eu gemi baixo dentro do beijo, a saia subindo um pouco quando ele me puxou mais perto. A chuva batia no telhado sem parar, e a lâmpada parecia tremer um pouco.

Ele soltou minha boca por um segundo, o hálito quente roçando meu queixo, e eu abri os olhos pra ver a barba tão perto.

— Se quer que eu esqueça a câmera — ele falou, quase encostando os lábios nos meus de novo — diz agora.

Eu respondi beijando ele de novo, mais fundo, as mãos dele apertando meus seios com mais força. A saia subiu mais um pouco, e eu senti o calor da palma dele na minha coxa, por cima do tecido.

Ele deslizou a mão pela lateral do meu corpo, desceu até o cós da saia. Os dedos pararam ali, sentindo o elástico, e eu segurei a respiração, esperando ele mexer mais, tirar, descer.

A chuva batia mais forte lá fora, e dentro da guarita só se ouvia a respiração pesada dos dois. Eu senti ele parar, os dedos grandes parados no zíper, como se esperasse algum sinal, e fiquei ali tremendo na mão dele, querendo que ele puxasse, que ele baixasse, que ele não parasse mais.

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