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Bilhete no corredor

por Gabi Sena · 28 de set. de 2026

Eu estava parada no corredor do hotel, o celular pesado na mão, sentindo o coração martelar depois de mandar aquela mensagem.

A pele do meu peito ficava quente e arrepiada por baixo do tecido fino do vestido, como se cada centímetro tivesse sido tocado antes mesmo de qualquer mão chegar perto. Meu corpo inteiro parecia alerta, a barriga apertada, as coxas roçando uma na outra quando eu mudava um pouco o peso de um pé pro outro.

A música abafada do salão chegava até ali como um murmúrio constante, misturada com o cheiro de cera de vela que parecia derreter devagar nas paredes. Eu fiquei ali, ouvindo o tilintar distante de copos e risadas que não me diziam respeito.

Abri a bolsa e tirei o bilhete de novo, o papel já macio de tanto ser dobrado e desdobrado. Relei as palavras curtas, a letra inclinada, a promessa que ele tinha escrito sem assinar. Meu dedo ficou passando pela borda do papel, sentindo a textura áspera.

Segurei o celular com as duas mãos e comecei a digitar, depois apaguei tudo. Tentei de novo, o polegar tremendo levemente quando toquei na tela. O nome dele já estava salvo desde a mensagem que tinha recebido, mas eu ainda olhei duas vezes antes de apertar.

A resposta chegou rápido, só um “chegando” escrito sem ponto. Eu guardei o celular de novo, encostei as costas na parede fria do corredor e fiquei ouvindo o som abafado do salão, tentando decidir se esperava em pé ou sentada.

O barulho de passos veio devagar, calçados sociais batendo no piso de madeira, e eu vi a sombra dele se alongando no chão antes de levantar o rosto. Vinícius apareceu na curva do corredor, o cabelo um pouco bagunçado como se tivesse passado a mão várias vezes, o sorriso de canto já começando a se formar.

— Oi, sou a Cláudia da mesa doze — falei, a voz saindo mais baixa do que eu pretendia. — Você deixou um bilhete.

Vinícius parou a poucos passos de mim. O cabelo dele caía bagunçado sobre a testa, como se ele tivesse tentado arrumar e desistido no meio do caminho. Ele me olhava de cima a baixo sem pressa, os olhos demorando mais tempo do que o normal em cada parte.

— Sabia que você ia escrever — ele disse, com a voz baixa. — Não consegui parar de olhar pra você a noite toda.

Eu ri, o som saindo mais nervoso do que eu queria. Meu vestido roçava nas costas contra a parede fria quando eu mudei o peso do corpo. O cheiro dele chegava até mim, algo doce misturado com o cheiro de cera que já estava no ar.

— Meu marido apagou no quarto — respondi, as palavras saindo devagar — e eu aqui... me sentindo viva de novo.

Ele sorriu de canto, aquela covinha aparecendo de um lado só. As mãos grandes dele balançavam ao lado do corpo, as veias marcadas chamando atenção mesmo na luz fraca. Eu olhei pra elas sem querer, depois desviei o olhar rápido pra parede do outro lado do corredor.

— Henrique não costuma dormir cedo — falei, mudando de assunto, a voz saindo mais baixa. — Ele deve ter exagerado no vinho.

Vinícius deu um passo mais perto, mas parou antes de encostar. O olhar dele demorou na linha do meu pescoço, descendo devagar até o decote do vestido. Eu senti o ar quente do salão chegando até aqui, trazendo mais risadas distantes que pareciam de outra vida.

Ele passou a mão no cabelo, bagunçando mais ainda, e eu vi as veias se moverem no antebraço. O celular vibrou na bolsa, mas eu nem olhei a tela. O olhar dele ainda estava em mim, mais demorado agora, e eu não consegui desviar o meu.

Vinícius apoiou o ombro na parede do outro lado do corredor, o terno ainda marcando a forma do corpo depois de horas de festa. O bilhete que eu guardara de novo na bolsa parecia queimar ali, como se ele soubesse que a gente estava falando dele sem dizer o nome.

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— A festa tá boa demais pra eu ir embora agora — ele comentou, o sorriso de canto já aparecendo. — Mas toda vez que eu passava perto da sua mesa eu tinha que me controlar pra não olhar demais.

Eu ri baixo, o som saindo rouco do peito. O decote do vestido subiu um pouco quando respirei fundo, e eu vi o olhar dele descer e subir rápido, como se tivesse se flagrado. O cheiro de vela derretida misturava com o perfume dele, algo quente que ficava mais forte a cada vez que ele mexia.

— Você escreve bilhete como quem já fez isso antes — falei, o dedo passando na alça do vestido só pra ter onde olhar que não fosse nele. — Ou eu que tô imaginando coisa por causa do vinho.

Vinícius balançou a cabeça, o cabelo escuro caindo na testa de novo. Ele tirou do bolso um pedaço de papelzinho, o mesmo tipo do bilhete que tinha deixado, e dobrou devagar entre os dedos grandes.

— Eu escrevi três versões — ele admitiu, a voz baixa o bastante pra ficar só entre a gente. — Essa foi a menos direta. As outras eu rasguei porque achei que iam te assustar.

O celular dele vibrou no bolso e ele nem olhou. O tilintar de copos do salão parecia mais distante agora, ou talvez eu que estivesse prestando menos atenção. Ele guardou o papel de volta, os movimentos lentos, e eu reparei como a luz amarela batia nas veias do pulso quando a manga do paletó subia.

— E qual seria a mais direta? — perguntei, o coração batendo mais forte só de imaginar.

Ele olhou pro meu rosto primeiro, demorou ali, depois deixou o olhar cair no ponto onde o tecido fino do vestido marcava o formato do peito. Eu senti o ar do corredor encostar na pele quente, como se o olhar dele tivesse deixado uma marca.

— Eu não sei se é boa ideia falar agora — ele respondeu, o sorriso voltando devagar. — Mas te garanto que não era sobre festa.

Eu apertei a bolsa contra o corpo, sentindo o bilhete ali dentro. O corredor parecia mais estreito de repente, as paredes mais perto, e eu não conseguia decidir se queria que ele continuasse ou se queria tempo pra pensar.

Vinícius deu mais um passo. O hálito quente dele encostou na minha testa, perto o bastante pra eu sentir o cheiro de vinho misturado com cera derretida.

Meu peito subia e descia rápido. A respiração dele se misturava com a minha, quente contra a pele do decote.

— Seu corpo tá pedindo isso tanto quanto o meu — ele murmurou, a voz saindo rouca.

Ele segurou minha cintura por cima do vestido fino. As mãos grandes apertaram devagar, os dedos marcando através do tecido, e então ele me puxou para o beijo. A boca dele era quente, firme, o gosto de vinho ainda na língua.

Eu respondi sem pensar, abrindo a boca, sentindo os dedos dele subirem pelas costas, descendo devagar, apertando de novo. O beijo ficou mais urgente, os corpos pressionados contra a parede fria. Meu quadril encostou no dele, a dureza dele por cima da calça marcando contra o vestido.

— Cláudia — ele falou baixo, a boca roçando a minha enquanto falava. — Se a gente continuar aqui, não vou conseguir parar.

Eu ri contra a boca dele, rouca, quase sem som. As mãos dele desceram até a curva do meu quadril, apertando mais forte, e eu senti a parede áspera nas minhas costas. O beijo voltou, mais fundo, mais lento, os corpos roçando sem parar.

Ele mordeu de leve meu lábio inferior, a respiração quente no meu rosto. O som abafado de risadas do salão parecia mais distante, como se o corredor tivesse ficado só nosso.

— Não tira as mãos — pedi, a voz saindo entre um beijo e outro.

Ele apertou minha cintura, subiu um pouco mais, os dedos grandes encontrando o fecho do zíper nas costas do vestido. Parou ali, sentindo o tecido fino, esperando. Eu encostei a testa na dele, a respiração presa, o corpo latejando contra o corpo dele, a vontade no máximo.

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