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Só um filme

por Marina L. · 28 de set. de 2026

Passei o dia inteiro na redação com a cabeça longe, um calor insistente que não me largava. Cada vez que o nome dela aparecia no grupo o estômago apertava e começava um latejar baixo entre as pernas, meu corpo já esperando por algo que ainda nem tinha acontecido. Tentei focar no texto, mas a lembrança daquele beijo rápido na porta do bar voltava toda hora e me deixava molhada só de pensar.

Cheguei na casa dela antes das oito, garrafa de vinho na mão e o coração batendo forte no peito. A rua estava quieta, mas sentia os olhos dos vizinhos em mim mesmo sem ninguém na janela. Apertei a campainha e esperei, tentando não parecer tão ansiosa quanto tava.

Manuela abriu a porta com um sorriso calmo, mas tinha algo nos olhos que me desconcertou. O cabelo castanho ondulado caía nos ombros e ela usava uma blusa leve que marcava o corpo de um jeito que tentei não notar. O cheiro de jasmim do difusor já escapava pela porta aberta.

— Oi, trouxe um vinho pra gente... espero que combine com o filme.

Ela deu um passo pra trás e me deixou entrar, fechando a porta atrás de mim. A sala estava iluminada só pela luz da televisão e por uma luminária pequena no canto. A manta macia estava jogada no sofá, como se alguém tivesse começado a se arrumar e mudado de ideia.

— Tô feliz que você veio — ela disse, pegando a garrafa da minha mão. — O filme já tá carregado, só falta apertar o play.

Tirei o tênis na entrada e fui até o sofá. Manuela foi pra cozinha pegar taças e eu fiquei parada ali, ouvindo o som da TV e tentando acalmar a respiração. O corpo ainda lembrava do calor que tinha me acompanhado o dia todo.

A gente sentou no sofá sem se olhar direito. Manuela pegou o controle e abriu o catálogo, passando rápido pelas capas, o dedo escorregando na tela. Cruzei as pernas e puxei a manta pra cima, o tecido macio nos dedos.

— Qualquer um serve — ela falou, sem parar de rolar. — Eu já vi tanto filme ruim que não ligo mais.

Ri baixo, sem saber o que responder. O filme parou numa capa qualquer. Manuela apertou play e largou o controle entre a gente. O som subiu, voz de homem explicando alguma coisa que ninguém ia prestar atenção.

Ela se inclinou pra pegar a garrafa, serviu o vinho nas duas taças com cuidado, a mão firme. Quando entregou a minha, nossos dedos quase se encostaram, mas ela puxou antes. O vinho tava gelado, o copo frio na palma.

O cabelo dela caiu pra frente quando ela serviu o dela. Castanho, ondulado, parou no ombro e cobriu um pouco o rosto. Manuela soprou de lado, sem conseguir prender tudo. Fiquei olhando o movimento, os fios desceram e ficaram ali, colados na pele morena do pescoço.

— O dia foi longo — ela disse, levando o copo na boca. — Você também parece cansada.

Bebi um gole, o gosto seco no fundo da língua. O filme seguia falando sozinho, luzes mudando na tela, gente correndo que não importava. Manuela recostou no encosto, as pernas dobradas embaixo do corpo, o joelho quase encostando no meu.

Olhei pra ela de novo, sem pressa. O cabelo continuava ali, caindo solto, e os olhos escuros dela estavam virados pra tela, mas a boca tinha um meio sorriso que não combinava com o que o filme mostrava. Ela virou a cabeça, como se sentisse que eu estava olhando.

O olhar dela ficou em mim um pouco mais do que precisava. Não desviei, só segurei o copo com as duas mãos, o peso do vinho dentro. O jasmim no ar parecia mais forte agora, misturado com o cheiro do cabelo dela que tinha ficado no espaço entre a gente.

Manuela demorou um segundo a mais que o normal pra tirar os olhos do meu decote. Vi quando ela percebeu que eu tinha notado, e mesmo assim não virou logo pro filme.

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— A gente podia ter ficado no bar aquele dia — ela falou, girando o copo. — Mas aí o pessoal ia ficar olhando, e eu queria ver só você.

O vinho tinha deixado a boca dela brilhando. Fiquei olhando o brilho e esqueci o que ia responder.

O filme seguia com aquela voz de fundo, mas o som parecia mais baixo agora. Meu decote marcava o ar entre a gente, como se a sala tivesse diminuído.

— Eu fiquei pensando nisso depois — continuei, baixando a voz. — Que talvez a gente tenha perdido tempo fingindo que era só um beijo qualquer.

Manuela mudou o peso do corpo no sofá e a manta escorregou um pouco do meu colo. O joelho dela encostou no meu por um instante e ficou ali.

O cheiro de jasmim subia mais quente agora, misturado com o vinho que a gente não tinha terminado. Mexi um pouco, sem saber se era pra afastar ou pra deixar o contato ficar.

— E você acha que a gente vai conseguir fingir de novo? — ela perguntou, o sorriso voltando.

Abri a boca pra responder, mas a voz dela tinha mudado e esqueci o que ia dizer. O filme seguia sozinho. O espaço entre a gente parecia menor.

O filme seguia passando, mas a gente já não olhava mais pra tela. O beijo da semana passada apareceu na conversa sem a gente planejar e o ar entre nós pareceu ficar mais denso depois disso. Manuela falou que tinha pensado nele mais vezes do que deveria. Respondi que também. Nenhuma de nós riu.

Ela mudou de posição no sofá, virando o corpo todo pra mim. Os joelhos dela quase encostaram nos meus e o espaço que restava era tão pequeno que sentia o calor do corpo dela chegando antes da mão.

— Eu não parei de pensar naquele beijo — ela falou, a voz mais baixa agora.

Engoli em seco, a garganta apertada. O vinho no meu copo balançou um pouco quando segurei com força. Manuela não desviou o olhar e percebi que ela estava esperando alguma coisa, uma resposta que eu não sabia dar.

O corpo dela se inclinou e senti a respiração quente dela no meu rosto, misturada com o cheiro do vinho que ainda estava na boca. Fiquei parada, sem conseguir decidir se virava o rosto ou se ficava esperando. A manta escorregou do meu colo e caiu no chão.

— Vem cá — ela disse, quase num sussurro.

Manuela levantou a mão e segurou meu rosto, o polegar passando no meu queixo. O toque dela era quente e senti os dedos finos pressionarem minha pele quando ela se aproximou. O beijo veio no começo, a boca dela encostando na minha sem pressa. Respondi, o gosto do vinho ainda presente.

As mãos dela desceram pelas minhas costas por cima da blusa, os dedos traçando um caminho que sentia no tecido. Mexi um pouco mais perto, a manta no chão e o sofá afundando um pouco com o peso da gente. O beijo ficou mais fundo e ouvi a respiração dela misturada com a minha.

Levantei a mão e deslizei pela coxa dela, o short de algodão macio sob os dedos. Manuela fez um som baixo, quase um suspiro, e senti o calor subir pela pele. A blusa dela marcava onde meus dedos passavam.

O beijo ficou mais urgente e as mãos dela subiram pelas minhas costas, puxando a blusa. O tecido subiu um pouco, deixando uma faixa de pele exposta. Não parei, só segurei a coxa dela com mais força, o corpo dela respondendo ao toque.

Manuela puxou minha blusa mais pra cima, os dedos encontrando a pele quente das minhas costas. Inclinei pra frente, querendo mais contato, o coração batendo forte no peito. O beijo não parava e sentia o gosto dela, o cheiro do jasmim no ar, a textura da manta no chão sob nossos pés.

— Não para — ela falou contra minha boca.

Respondi beijando ela de novo, as mãos dela agora na minha cintura, puxando a blusa ainda mais pra cima. O filme seguia passando, mas o som parecia distante, como se viesse de outra sala. Sentia só o calor do corpo dela, a respiração misturada com a minha, as mãos explorando por cima da roupa que ainda estava no caminho. A vontade subia, como se tivesse tempo de sobra pra se espalhar por todo o corpo.

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