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Caixinha lacrada

por Júlia M. · 28 de set. de 2026

Cheguei do trabalho com o corpo todo travado e a casa quieta demais, olhei para aquela caixinha em cima da cômoda e senti um frio na barriga que não passava.

O dia inteiro eu não conseguia parar quieta na cadeira. Cada vez que o pensamento voltava pra noite, o meio das pernas latejava de leve, quase imperceptível, só o suficiente pra me lembrar que eu tava esperando por algo que ainda não tinha nome.

Quando cheguei em casa, abri o chuveiro e fiquei debaixo dele até a água amolecer os ombros. Depois enfiei uma blusa de alcinha fina, sem sutiã por baixo, e um short jeans que subia pouco a pouco toda vez que eu me mexia. O tecido encostava na pele ainda úmida e parecia me avisar de tudo que eu não ia conseguir disfarçar.

No quarto, a caixinha continuava lá, lacrada, refletindo a luz do abajur. Eu parei na porta e senti o coração bater mais forte só de olhar pra ela. O silêncio da casa parecia guardar o segredo junto comigo.

A campainha tocou. Eu respirei fundo, passei a mão no short pra ajeitar o que não precisava de ajeite e fui até a porta.

Marcos tava do outro lado, ombros largos preenchendo a porta, a barba por fazer dando um ar meio desarrumado nele. O cheiro de café ainda pairava na sala, misturado com o ar frio do ar-condicionado.

— Cheguei mais cedo do que imaginei, mas já tava querendo te ver desde o almoço. — Entra, tô só acabando de me arrumar. A gente pode sentar um pouco antes.

Marcos passou por mim e foi até o sofá, os ombros dele enchendo mais espaço do que eu lembrava. O tecido do estofado fez um som seco quando ele se sentou.

— O dia foi daqueles de correr atrás de tudo e não dar conta de nada — ele disse, apoiando os braços no encosto.

Eu me acomodei na outra ponta, puxando a barra do short que subia sozinha. O ar-condicionado batia direto nas minhas pernas nuas.

— O meu foi igual — respondi, cruzando as pernas sem querer chamar atenção pra blusa fina. — Só queria chegar em casa e parar um pouco.

Marcos olhou pro café que ainda exalava da xícara que eu tinha deixado na mesa de centro. O cheiro doce e amargo subia devagar.

— Não esperava que fosse tão bom sentir esse cheiro de novo — ele comentou, apontando com o queixo pra xícara.

Eu segui o olhar dele, depois voltei pra cara dele. A barba marcava o queixo meio escuro, meio rústico.

— Fiz antes de sair pro banho — falei, e percebi que a voz saíra mais baixa do que pretendia.

Ele sorriu sem mostrar os dentes, um sorriso só de canto, e os olhos dele desceram devagar até o decote da blusa de alcinha. Eu senti os mamilos endurecerem contra o tecido sem sutiã.

— O café ainda tá quente? — ele perguntou, sem tirar o olhar do meu peito.

Eu não respondi na hora. Só fiquei olhando pra ele, reparando no jeito que a camisa esticava nos ombros, na maneira como a barba marcava a pele do rosto. O ar entre a gente ficou mais denso, sem ninguém tocar em nada.

A luz do abajur batia de lado, criando uma sombra fina no pescoço dele. Marcos mudou de posição no sofá e o estofado soltou um rangido baixo quando ele apoiou o cotovelo no encosto.

— Ontem eu quase dormi no escritório, sabe — ele disse, olhando pro teto por um segundo. — Acordei com o teclado marcado no rosto.

Eu ri, mas a risada saiu mais curta do que eu queria. A blusa de alcinha mexia toda vez que eu respirava fundo.

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— Eu entendo — falei. — Hoje eu saí correndo de reunião em reunião e quando olhei o relógio já era hora de vir pra cá.

Marcos olhou pra xícara vazia na mesa de centro. Os dedos dele tamborilaram no braço do sofá, perto da minha coxa mas sem encostar.

— Você sempre deixa o café na mesa assim, ou foi por minha causa? — ele perguntou, e o canto da boca dele subiu de novo.

Eu baixei o olhar pro short, puxando de leve a barra que subia sozinha. O tecido raspava a pele nua da coxa, e eu sentia que ele estava olhando pra mesma coisa.

— Foi pra te mostrar que eu sei fazer café decente — respondi, e a voz saiu rouca sem eu querer.

Marcos inclinou o corpo um pouco pra frente, os ombros tapando parte da luz do abajur. A camisa dele esticou no peito quando ele respirou.

— E eu achei que você tinha me chamado aqui só pra me ver — ele disse devagar, os olhos dele parando no decote da blusa de novo.

Eu senti o ar-condicionado gelar os mamilos por baixo do tecido fino. A respiração dele parecia mais pesada agora, e eu percebi que a gente tinha parado de falar do dia.

Marcos ajeitou a perna e a sola do sapato raspou no chão de madeira, um som seco que pareceu muito alto na sala silenciosa.

— Priscila — ele falou, e o nome saiu diferente, mais baixo. — Eu tava pensando no que você me contou sobre a sua amiga.

Eu olhei pra cara dele, pro jeito que a barba marcava a linha do queixo. O sofá rangia de leve quando eu mexi o quadril, tentando ficar mais confortável.

— Ela tem essas ideias malucas — respondi, e senti que a voz falhava um pouco. — Sempre me dando coisa que eu nunca ia comprar sozinha.

Marcos passou a mão na barba, um gesto que fez os músculos do antebraço dele se moverem. Os olhos dele não saíram do meu rosto.

— E você aceitou — ele disse, quase como uma constatação.

O carro passou lá fora, o som do motor subindo e descendo até sumir de novo. A sala ficou mais quieta depois disso, só o zumbido baixo do ar-condicionado enchendo o espaço.

Eu segurei o encosto do sofá, os dedos apertando o tecido. A blusa de alcinha subia e descia com a respiração, e eu sabia que ele estava vendo cada movimento.

A respiração dele mudou de ritmo quando ele inclinou o corpo um pouco mais, a voz grave quase sumindo na sala.

— Quero você, vem cá — ele falou, e a mão grande dele parou no meio do caminho entre a gente.

Eu senti o calor subir pelo pescoço e subir mais, o ar-condicionado não dava conta de segurar. Me movi no sofá até ficar perto o suficiente pra sentir o cheiro dele misturado com o resto do café.

O rosto dele ficou a um palmo do meu, a respiração batendo na minha boca, e eu não conseguia tirar os olhos da barba que marcava o queixo dele. O sofá rangia de leve quando eu me inclinei, os dedos dele subiram até segurarem meu rosto.

O beijo veio no começo, a boca dele firme, depois ele enfiou a língua, provando, e eu respondi com a minha, sentindo o gosto dele se misturar com o meu. O ar-condicionado zumbia baixo enquanto a gente ficava sem ar.

As mãos dele desceram pelas minhas costas, os dedos abertos apertando a curva da bunda por cima do short, puxando até eu sentir o corpo dele contra o meu. Eu gemi baixo dentro do beijo, as unhas arranhando a camisa dele no peito, sentindo a firmeza dos ombros por baixo do tecido.

— Tô louco pra te ver usando isso — ele falou contra minha boca, a voz rouca, os dedos apertando mais.

Eu passei a mão pelo peito dele, sentindo os ombros se mexerem quando ele respirou fundo, e puxei ele mais pra perto, sentindo o calor da pele dele através da camisa. O sofá rangia a cada movimento pequeno, o tecido arranhando a parte de trás das minhas coxas.

Ele puxou a alça da blusa, a alcinha fina escorregando pelo ombro até ficar caída no braço, e a boca dele desceu pro meu pescoço, os lábios marcando a pele. Eu arquejei quando os dedos dele apertaram minha coxa por cima do short, subindo, sentindo o calor que subia de mim.

A respiração ficou presa quando ele parou com a mão bem em cima do short jeans, apertando de leve, e eu senti o peso dela ali, firme, enquanto o ar-condicionado batia gelado na pele quente da minha barriga. A blusa pendia pelo ombro, o short subia um pouco a cada respiração funda, e a mão dele continuou apertando minha coxa, quente contra o tecido.

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