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Quarto 1204

por Dani Vasconcelos · 28 de set. de 2026

Saí do escritório com o corpo todo travado de tanto decidir tudo o dia inteiro e fui direto me arrumar pro que ele tinha pedido.

O banho quase não baixou a tensão. Eu me ensaboei rápido, sem enrolar, e quando passei a toalha na pele senti cada centímetro mais sensível do que de costume. Escolhi o vestido justo, sem nada por baixo, como ele tinha mandado. O tecido deslizou direto na barriga, no bumbum, e roçou os mamilos quando me curvei pra calçar as sandálias. O frio do ar-condicionado do táxi atravessou o vestido fino e me deu arrepio.

O coração batia mais forte a cada andar que o elevador subia. Eu segurava a chave plástica entre os dedos, repetindo mentalmente o número do quarto, com medo de alguém do escritório aparecer no corredor e notar meu rosto corado ou o jeito como eu apertava a alça da bolsa. Quando o elevador parou no décimo segundo, congelei um segundo antes de sair. O carpete absorvia o som dos meus passos.

A porta abriu sem barulho. O quarto estava escuro, só com a luz da cidade entrando pela janela. Deixei a bolsa na mesinha, fechei a porta e fui até o espaço entre a cama e a parede. O carpete era macio, mas dava pra sentir cada fio contra os joelhos quando me ajoelhei. O cheiro dos lençóis limpos subia do colchão e se misturava com o leve perfume que ficava no ar.

Olhei o celular. Faltavam cinco minutos. Respirei fundo, sentindo o ar gelado bater nos joelhos nus, nas coxas por baixo do vestido curto. O ar-condicionado zumbia baixo, constante, como um lembrete de que eu estava ali, sozinha, esperando. Fiquei quieta, ouvindo meu próprio coração.

— Cheguei como você mandou, de joelhos e sem nada por baixo.

Nenhuma resposta. Só o ar-condicionado e o som distante de um carro na rua lá embaixo. Segurei a barra do vestido com os dedos, o tecido frio contra a pele. O tempo parecia parado, só eu ali, ajoelhada, o corpo pedindo pra ele chegar logo.

A porta rangeu baixinho quando ele entrou. André parou por um segundo só, o olhar descendo do meu rosto até a linha do decote. Ele não falou nada no primeiro instante, só fechou a porta com cuidado, como se testasse o quanto de barulho fazia.

— Você chegou pontual — ele disse, a voz grave ainda mais baixa que eu lembrava.

Ele tirou o blazer, passou a mão na nuca como quem afasta o cansaço do dia. O perfume dele ficou mais forte quando se aproximou da poltrona e se sentou. O tecido da camisa branca esticou nos ombros, marcando o formato largo.

— O dia foi longo pra você também?

— Longo. Reunião atrás de reunião, gente pedindo decisão pra tudo — ele respondeu, soltando o fôlego. — Mas agora não quero pensar em nada disso.

O ar-condicionado zumbia baixo. Senti o frio nas coxas nuas e apertei mais os joelhos contra o carpete.

— Eu fiquei pensando nisso a semana toda — falei, quase rindo do próprio nervoso. — Da gente marcando e eu tentando fingir que era só conversa.

— E não era — ele completou, com um meio sorriso. — Mas você já tá aqui, então não precisa fingir mais nada.

Ele se recostou na poltrona, os olhos descendo pela curva do meu peito, onde o vestido marcava os bicos dos mamilos por causa do ar gelado. Segurei a respiração por um segundo, o olhar dele como se fosse um toque. Ele não desviou os olhos logo. Ficou ali, quieto, observando como o tecido se prendia na minha pele.

Ele inclinou a cabeça um pouco, o queixo aparecendo mais perto da luz da cidade que entrava pela janela. Vi a barba por fazer dele, a sombra escura marcando a pele, e um calor subiu pelo meu pescoço.

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— Você fica assim toda vez que marca algo que não devia?

— Só quando o que eu marco demora semanas pra acontecer — respondi, a voz um pouco rouca. — E eu passo o dia inteiro mandando em gente que espera que eu resolva tudo, aí fico aqui pensando que, de repente, não preciso resolver nada.

O ar-condicionado zumbia constante, mas o som parecia mais distante agora, como se o quarto tivesse ficado menor só com ele sentado ali. Mudei o peso dos joelhos no carpete, os fios macios contra a pele.

Ele passou a mão no braço da poltrona, os dedos largos deslizando no couro escuro. Os olhos dele não saíram do meu rosto, mas eu sentia que ele reparava em tudo: no jeito que o vestido subia um pouco nas coxas, no ombro que ficava mais à mostra quando eu respirava fundo.

— Eu fiquei olhando a porta do elevador hoje depois do almoço — ele continuou, a voz mais calma. — Pensei que talvez você tivesse desistido, que fosse só conversa pra passar o tempo.

— Eu quase desisti umas três vezes — falei, rindo baixo, o som saindo mais nervoso do que eu queria. — Mas toda vez que eu pensava em mandar mensagem cancelando, eu lembrava que você ia aparecer aqui de qualquer jeito.

O silêncio que veio depois foi diferente dos outros. Eu sentia a respiração dele, o perfume que ficava mais forte quando ele se inclinava um pouco pra frente. Meu coração batia mais rápido agora, não de medo, mas de algo que começava a apertar no meio do peito.

Ele ergueu a mão devagar, como se fosse ajustar o colarinho da camisa, mas parou no meio do caminho. Os dedos dele ficaram no ar por um segundo antes de baixarem de novo, e eu segui o movimento com os olhos, sentindo que o quarto inteiro esperava pelo próximo gesto.

— E se alguém do trabalho aparecer no corredor agora? — ele perguntou, a voz mais grave, quase um sussurro. — Você ia conseguir ficar quieta?

Eu não respondi logo. O carpete parecia mais quente debaixo dos joelhos, ou talvez fosse só o sangue correndo mais rápido. O ar gelado do quarto batia na minha pele, mas eu sentia o calor dele do outro lado do espaço entre a gente, como se ele já estivesse mais perto do que realmente estava.

O carpete rangeu um pouco quando ele se levantou da poltrona, e eu fiquei ali de joelhos, olhando pra ele se aproximar, os ombros largos preenchendo a luz que entrava pela janela. A respiração dele desceu quente sobre o meu cabelo, misturada com o perfume que já tinha ficado no ar.

— Você fica linda assim, esperando — ele falou baixo, quase pra ele mesmo.

Eu não respondi. A barba dele roçou de leve no meu cabelo quando ele parou bem na minha frente, os sapatos escuros quase encostando nos meus joelhos nus. O ar gelado do quarto parecia ter sumido, substituído pelo calor que descia do corpo dele.

Ele estendeu a mão, os dedos largos parando no meu queixo, inclinando meu rosto devagar pra cima. O polegar passou na minha pele, e fechei os olhos, os lábios dele a um centímetro dos meus, tão perto que eu conseguia sentir a respiração dele na minha boca.

— Levanta — ele disse, a voz grave rouca.

Eu me levantei devagar, sentindo os joelhos doerem um pouco do tempo no carpete, e ele me puxou pela cintura, me apertando contra o corpo dele. O beijo veio, a boca dele quente contra a minha, a barba roçando no meu queixo, os ombros dele curvados pra baixo pra me alcançar.

Minha mão foi até o peito dele por cima da camisa, sentindo o tecido esticado, e ele apertou mais a minha cintura, me puxando pra mais perto ainda. O ar-condicionado zumbia baixo, mas eu mal ouvia, concentrada na forma como ele me beijava, como se tivesse tempo pra tudo.

Ele desceu a boca pro meu pescoço, os lábios roçando a pele sensível ali, e senti as mãos dele subirem pelo meu corpo, apertando meus seios por cima do vestido, os polegares passando nos mamilos que estavam duros por causa do frio.

— André...

Ele apertou mais forte, as mãos grandes cobrindo tudo, e senti o corpo tremer, a respiração presa no peito enquanto ele segurava firme, o calor dele atravessando o tecido fino.

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