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Mão no escuro

por Rê Albuquerque · 28 de set. de 2026

Cheguei cansada da viagem, mas o corpo formigando de expectativa pela festa de réveillon. Dois anos sem dividir um espaço tão apertado com ninguém, e a ideia de dormir os três na mesma cama já me deixava inquieta, um calor subindo pela barriga enquanto o mar batia lá fora.

Passei o dia inteiro ansiosa, o corpo cansado da estrada mas a pele arrepiada. A expectativa ficava no fundo da barriga, misturada com o cansaço, fazendo cada gesto parecer mais lento, mais pesado.

Chegamos na casa de praia já lotada de gente. Fomos direto pro quarto pra largar as coisas, o ar úmido batendo no rosto assim que abri a porta.

Mari riu enquanto arrumava o lenço no cabelo. Escolheu o lado da cama mais perto da janela, jogando a bolsa em cima do colchão.

— Poxa, essa casa lotou mesmo, né? Vai ser apertado dormir os três aqui.

A luz da lâmpada de cabeceira era fraca, dando um tom amarelado no lençol de algodão barato. O cheiro de protetor solar misturado com suor leve ainda estava no ar, subindo do tecido quente.

Mari se sentou na beirada, testando o colchão com a mão. O lenço escorregou um pouco no cabelo dela, mas ela não se deu ao trabalho de ajeitar.

Fiquei parada um segundo, sentindo o calor que vinha do chão de madeira, o som distante das ondas batendo. O quarto parecia menor do que na foto.

Mari mexeu os pés descalços no chão de madeira, o lenço pendendo solto agora. Ela olhou pro Felipe e sorriu de lado.

— Relaxa, Débora, a gente se vira. O Felipe abraça todo mundo mesmo, você vai ver.

Ele riu baixo, aquele som que parecia vir de dentro do peito. Já tinha tirado a camisa e dobrado com cuidado, como se ainda precisasse de alguma coisa pra fazer com as mãos. Reparei que os braços dele ficavam mais largos assim, iluminados só pela lâmpada pequena.

— É, pode colar em mim que eu não mordo... pelo menos não sem pedir.

Mari deitou no meio da cama antes de qualquer um responder, abrindo espaço com o braço por cima da cabeça. O cheiro dela subiu junto com o calor que vinha do colchão, misturado com o ar que não circulava direito. Fiquei em pé ainda, olhando o jeito que o lençol amassava em volta do corpo dela.

— Vocês dois sempre dormem assim? — perguntei, tentando soar só curiosa.

Ela virou a cabeça pro travesseiro, mas os olhos continuavam em mim.

— Só quando tem festa grande. Aí a gente junta todo mundo que sobrar.

Felipe sentou na outra beirada, o colchão afundando um pouco do lado dele. Finalmente me sentei também, sentindo o calor que vinha do braço dele sem nem precisar encostar. O som das ondas lá fora parecia mais perto agora que estávamos quietos. Mari suspirou e fechou os olhos, mas vi que ela ainda sorria.

— A gente finge que isso aqui é grande. Depois acorda todo mundo grudado.

Olhei de novo pro Felipe, reparando como a luz batia no ombro dele e deixava a pele mais escura. Ele não se mexeu. Só ficou ali, como se esperasse ver se ia dizer alguma coisa mais.

Mari se virou de lado, apoiando a cabeça na mão, e ficou olhando pro Felipe. A luz amarelada fazia o ombro dele parecer maior, e vi que ela reparava na mesma coisa que eu.

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— Você sempre dorme de lado assim? — ele perguntou pra ela, a voz mais baixa porque a gente estava quieto.

Ela riu de canto de boca, sem tirar os olhos do braço dele.

— Só quando eu sei que alguém vai acordar grudado em mim. Aí eu fico esperta.

Peguei o celular no bolso da saia e abri o Instagram. Tinha um story da galera dançando lá fora, a música alta e luz colorida passando pela janela do quarto. Comecei a digitar pra uma amiga que tava na festa, mas parei no meio. A mensagem ficou ali, escrita, e apaguei tudo.

O som das teclas parou de repente e deixou o quarto em silêncio de novo. Mari ainda olhava pro Felipe, mas sentia que era em mim que ela pensava. Felipe passou a mão na nuca, como se a barba por fazer coçasse, e reparei como os dedos dele eram grossos contra a pele escura.

Mari mexeu o pé debaixo do lençol, roçando de leve na minha perna sem querer. Nenhum dos dois pediu desculpa. O colchão afundou um pouco mais quando ela mudou de posição, e o calor do braço dele ficou mais perto do meu, quase encostando.

— A gente vai ter que dividir o travesseiro também? — ela perguntou, ainda de lado, a voz arrastada.

Felipe olhou pra cama, pro jeito que a gente ia ficar apertado, e sorriu de um jeito que não era só brincadeira.

— Se couber todo mundo, a gente dá um jeito. Senão... a gente vira de lado e resolve.

Deixei o celular cair no colchão, a tela virada pra baixo. O quarto parecia mais quente agora, ou talvez fosse só a gente quieto demais, esperando pra ver quem ia dizer a próxima coisa.

Mari se levantou do colchão devagar, o lençol deslizando pela coxa dela quando esticou a perna. O ar do quarto parecia grudar na pele. Ela parou na porta um segundo, olhando pra gente de lado.

— Água pra alguém? Volto já, não façam nada que eu não faria.

A porta fechou atrás dela. O som das ondas ficou mais presente, como se o quarto tivesse ficado maior sem ela. Felipe continuou do meu lado, o braço dele encostando de leve no meu sem força nenhuma. Senti o cheiro de protetor solar misturado com suor dele, um cheiro doce.

O colchão afundou um pouco quando ele mudou de posição, o lençol de algodão áspero roçando na minha barriga. Ele não disse nada. Só ficou ali, respirando mais devagar agora que a gente estava quieto. A lâmpada de cabeceira ainda estava acesa, dando uma luz amarela fraca que não chegava no chão.

Quando Mari voltou, a porta abriu de novo e ela carregava um copo d’água. Entrou no quarto sem fazer barulho, o cabelo um pouco bagunçado do vento lá fora. Em vez de deitar no meio de novo, ela foi pro outro lado da cama, do meu lado, e o colchão afundou quando ela subiu. Fiquei entre os dois agora, o ombro de Felipe quase encostando no meu.

O escuro ficou mais denso quando ela apagou a lâmpada. Só sobrou a claridade que vinha da janela, um cinza fraco que mal dava pra ver o contorno dos corpos. Mari puxou o lençol até o peito e suspirou baixo, como se estivesse confortável.

Uma mão grande pousou na minha coxa, por cima da saia fina de algodão que eu ainda usava. Os dedos dele eram quentes contra o tecido, e senti o ar ficar mais pesado na garganta. Não me mexi. Só deixei ali, sentindo o peso da palma dele sem saber direito o que ia acontecer.

Os dedos subiram um pouco, devagar, o calor deles passando pelo tecido até quase o meio da minha coxa. Respirei mais fundo, o peito subindo devagar. Ele não apertou. Só ficou ali, como se testasse quanto ia deixar.

Do outro lado, Mari também esticou a mão. Senti os dedos dela na minha outra coxa, mais leves que os dele, mas igualmente quentes. As duas mãos se moveram devagar, os dedos se encontrando no meio das minhas pernas, roçando um no outro por cima da saia. Fiquei quieta, o corpo formigando, sem saber qual mão era qual quando elas se afastavam e voltavam.

O lençol escorregou um pouco quando Mari se mexeu mais perto. Ela passou a perna por cima da minha de leve, e senti o joelho dela encostar na minha coxa. Do outro lado, Felipe também se virou um pouco, o peito dele quase encostando nas minhas costas agora. O ar do quarto parecia mais quente, úmido, grudando na pele.

— Tá gostando da festa até agora? — ele perguntou, a voz grave vibrando perto do meu ouvido.

Engoli em seco, sentindo as duas mãos ainda na minha coxa. A saia subiu um pouco quando os dedos dele apertaram de leve o tecido. Mari riu baixinho do outro lado, o som abafado contra o travesseiro.

— Tá quente aqui dentro — respondi, a voz rouca sem eu querer.

Os dedos dele subiram mais, agora quase no cós da saia, e senti o calor da palma dele contra minha pele por baixo do tecido. Do outro lado, Mari roçou o polegar devagar, quase distraída, mas o toque era firme. Fiquei presa entre os dois, o corpo inteiro atento, a respiração presa na garganta.

O cós da saia cedeu um pouco quando a mão dele puxou devagar, o zíper fazendo um barulhinho baixo no escuro. Não parei. Só fechei os olhos, sentindo o dedo dele roçar por cima do tecido da calcinha, quente e firme, e a outra mão do lado de Mari fazendo o mesmo caminho devagar. O lençol estava enrolado nas pernas da gente, o ar do quarto grudando na pele, e só conseguia sentir as duas mãos subindo, subindo, sem parar.

Amiga e a trêsmenagefestapraiaexplicito

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