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A convidada

por Rê Albuquerque · 28 de set. de 2026

Cheguei na casa deles ainda com o corpo cansado do dia de fotos, mas a cabeça não parava de voltar naquela conversa do churrasco. Passei o dia inteiro sentindo o sol na pele, mas era outro tipo de calor que não saía de mim. Desde o convite a barriga apertava toda vez que eu imaginava a noite. O protetor solar ainda estava na minha pele, misturado com o cheiro de suor seco e aquele perfume que coloco quando sei que alguém vai reparar.

O ar da noite baiana entrava pela janela da sala, úmido e carregado. Eu ouvia a música baixa que vinha do fundo da casa e o tilintar de copos sendo colocados na mesa. O cheiro de carne grelhada ainda saía da cozinha, doce e pesado.

Bruno abriu a porta com um sorriso largo, usando uma camisa social preta que eu nunca tinha visto nele. Ficou boa, a cor destacando a pele dele, mas eu não consegui desviar o olhar rápido o bastante.

— Nossa, Bruno, essa camisa ficou boa em você, nunca te vi assim.

Ele riu, meio sem graça, passando a mão no peito como se testasse o tecido.

— É, Letícia me obrigou a tirar a velha do armário. Você chegou na hora certa, a gente já tava abrindo o vinho.

A textura áspera do sofá de couro roçava contra as minhas pernas enquanto eu esperava. Meu corpo ainda estava quente de sol e de expectativa, e eu sentia cada segundo passando devagar, como se a casa inteira estivesse me observando chegar.

Letícia apareceu logo depois, descalça, com um vestido leve de algodão que marcava o corpo de quem tinha passado o dia em casa. O cabelo cacheado caía solto nos ombros, ainda úmido do banho.

— Finalmente você chegou. Eu tava quase ligando pra saber se tinha perdido a coragem.

Eu ri sem jeito, ajeitando o cós da bermuda. Ela se inclinou pra dar um beijo demorado no canto da minha boca, o cheiro de sabonete de baunilha misturado com o vinho que já tinha provado.

— Desculpa o atraso. Tinha um engarrafamento na Paralela que não acabava mais.

Bruno servia o vinho devagar, olhando pra gente com uma calma que não combinava com o jeito que os olhos dele demoravam. A taça tilintou quando ele encostou na mesa, e a música na sala baixou um pouco, como se alguém tivesse virado o volume pra ouvir melhor.

— Eu tava falando pra Letícia que a gente não te via desde aquele churrasco. Parece que foi outro ano.

Eu peguei o copo que ele ofereceu, os dedos dele roçando nos meus sem querer. Letícia puxou uma almofada do sofá e sentou de lado, o vestido subindo um pouco na coxa.

— Falei pra ele que você tava diferente depois daquele dia. Mais quieta. Ele não acreditou.

O couro do sofá rangeu quando eu me mexi. Bruno riu baixo, balançando a cabeça, e serviu pra Letícia sem parar de olhar pra gente.

— É, eu disse que ela ia aparecer de qualquer jeito. Só não sabia que ia ser com essa cara de quem guardou segredo o mês inteiro.

O vinho tava fresco na boca, mas o calor da noite baiana já subia pela janela aberta, misturando com o cheiro de carne grelhada que ainda saía da cozinha. Letícia encostou a taça no lábio inferior, o olhar demorando um segundo a mais na minha boca antes de voltar pros olhos.

— Eu não parei de pensar naquela fantasia desde o churrasco. Tava no meio de uma reunião e de repente me peguei imaginando você sentada ali, com a gente olhando pra você.

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Bruno sorriu de lado, girando o vinho no copo sem beber, e eu senti o couro do sofá esquentando debaixo das minhas coxas. A música na sala baixou mais um tom, como se tivesse sido tocada de propósito.

— Bruno quase derrubou o celular quando eu contei. Eu tava escovando os dentes, falei que tinha te visto no banheiro e que a gente ficou conversando sobre o que ia rolar se você topasse. Ele cuspiu pasta de dente na pia.

Eu ri baixinho, o som saindo mais rouco do que eu queria, e peguei uma garfada de salada pra fingir que tava concentrada na comida. O garfo tilintou contra o prato e eu vi Letícia reparando na minha mão, o jeito como os dedos seguravam o talher.

— Eu tava dirigindo quando ela me mandou áudio. Tinha que parar no acostamento porque não conseguia dirigir e escutar ao mesmo tempo. Quando cheguei em casa, a gente ficou até tarde conversando sobre isso.

Letícia esticou a perna debaixo da mesa e o pé dela roçou no meu tornozelo por acidente, ou talvez não. Eu não tirei. A pele dela tava quente mesmo depois do banho, e eu senti o couro do sofá rangendo quando eu me mexi.

— Bruno quis saber se você ia ficar vermelha do jeito que você fica quando alguém te elogia. Eu falei que você ia tentar disfarçar, mas que o pescoço ia entregar primeiro.

O ar entrou pela janela carregado de umidade, fazendo o cabelo de Letícia grudar na têmpora. Ela afastou um cacho da testa com o dorso da mão, e eu vi o sorriso se formando devagar, como se ela estivesse testando até onde podia chegar sem me assustar.

— E aí, Camila? Você ficou vermelha só de ouvir isso, ou precisa que a gente conte mais?

O sofá rangeu quando a gente se levantou, e o vinho ficou esquecido na mesa de centro. Letícia pegou minha mão pra me puxar pra sala, e eu sentia o couro do sofá gelado contra a parte de trás das coxas quando sentei no meio dos dois.

— Vem cá. Eu quero te sentir perto.

Letícia se virou de lado, um joelho apoiado no sofá, o vestido subindo na coxa sem ela se importar. O ar parecia mais pesado agora, como se a janela não desse conta do calor que a gente carregava. O cabelo cacheado dela caiu pra frente quando ela se inclinou, e eu senti a respiração quente no meu pescoço.

Bruno não falou nada, só encostou o cotovelo no joelho e inclinou o corpo pra frente. Eu dava pra sentir os olhos dele percorrendo a gente, o jeito que ele observava o vestido de Letícia marcando o corpo.

— Você tá tremendo — ela sussurrou, a boca tão perto da minha orelha que a palavra saiu mais como um toque.

Deixei o olhar cair pro colo dela, o vestido fino grudando onde a pele estava quente. Letícia passou a mão no meu rosto, os dedos macios deslizando até a nuca, e me puxou devagar. O beijo veio suave primeiro, os lábios dela abrindo os meus, o gosto de vinho ainda na língua.

Bruno se mexeu no sofá, o peso dele afundando o couro do outro lado. Eu sentia a mão dele na minha coxa por cima da bermuda, os dedos largos apertando sem subir, só marcando o lugar onde ele queria estar.

— Deixa eu te ver — Letícia falou contra minha boca, as mãos indo pra barra da minha blusa. Os botões começaram a soltar devagar, um por um, e eu sentia o ar da noite tocando a pele que ia aparecendo.

A mão de Bruno subiu um pouco na minha coxa, o polegar fazendo um círculo pequeno por cima do tecido. Letícia afastou as laterais da blusa aberta, o beijo voltando mais fundo, a língua dela roçando a minha. Eu sentia o corpo dela quente do meu lado, o cabelo cacheado roçando meu ombro.

— Vocês são lindas assim — ele falou baixo, a voz rouca, a mão apertando mais firme na minha coxa.

Letícia desceu a boca pro meu pescoço, os lábios abertos, o fôlego quente contra a pele. Os dedos dela deslizaram por dentro da blusa aberta, tocando a barriga, subindo devagar até o sutiã. Bruno puxou minha perna um pouco pra ele, o corpo dele inclinado, o peito quase encostando no meu braço.

— A gente não vai parar se você não quiser — Letícia falou, a voz abafada contra meu colo, os dedos já na borda do sutiã. Eu sentia o coração batendo forte, o ar não entrando direito, o calor úmido da noite grudando no cabelo da nuca.

A blusa escorregou dos meus ombros quando Letícia puxou as mangas pra baixo, e a mão de Bruno subiu mais, o polegar agora roçando o cós da bermuda. Eu sentia tudo acontecendo devagar, cada toque demorando, cada respiração contando. A vontade subindo, apertando no meio das pernas, o corpo pedindo mais sem conseguir pedir em voz alta.

— Você quer que a gente pare? — ela perguntou, a boca na curva do meu peito, os dentes roçando de leve. Eu balancei a cabeça, sem conseguir formar a palavra. Bruno soltou o ar devagar, os dedos apertando a coxa como se segurasse a própria vontade.

Letícia puxou o fecho da bermuda devagar, o zíper descendo um dente de cada vez, o tecido abrindo sobre minha barriga. A respiração dela ficou mais curta, o corpo se inclinando pra frente, os dedos parando no cós da calcinha que aparecia. Bruno apertou mais a coxa, a mão firme, o polegar roçando a pele que a bermuda aberta deixava exposta.

Eu sentia o coração disparado, a respiração presa no peito, o desejo quase explodindo.

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