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Dobra da coxa

por Tati Fontes · 28 de set. de 2026

Acordei com o corpo já quente e passei o dia todo pensando naquela avaliação que ele tinha oferecido só pra mim. A pele parecia sensível até no tecido da regata, qualquer toque ia ficar marcado. No caminho até o fim do corredor do prédio o short de licra já apertava nas coxas, e toda vez que passava por um espelho eu me via olhando de um jeito que não era mais de quem só vai treinar.

Quando entrei na sala, o ar-condicionado deu um baque frio direto na barriga exposta. O zumbido baixo preenchia tudo, ecoando entre as paredes vazias, e o cheiro de borracha do piso subia junto com um resto de suor que não era meu. Fechei a porta atrás de mim, o silêncio mais denso do que o normal.

Márcio estava lá no canto mais escuro, ajoelhado, puxando o colchonete pra alinhar com a parede. Os braços dele apareciam marcados pelas veias, a pele brilhando um pouco de esforço recente. Ele não tinha me visto ainda, e fiquei ali um segundo só olhando o jeito que os ombros dele se moviam enquanto ele ajustava a borda do tapete.

Ele ergueu a cabeça e me viu. Sorriu de canto, aquela covinha aparecendo, como se tivesse guardado aquele sorriso só pra hora que eu chegasse.

— Chegou cedo — ele disse, levantando e passando a mão na calça.

— Você disse que ia reservar o horário — respondi, dando um passo pra dentro. O piso gelado subiu pelas solas.

Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo.

— Reservei. Ninguém mais marca esse horário.

Balancei o peso de uma perna pra outra, o short subindo um pouco na coxa.

— Márcio, você jura que ninguém vai aparecer agora? — perguntei baixo, o ar-condicionado podia escutar.

O celular vibrou na minha mão. Olhei a tela, e lá estava a foto dele: o salão todo escuro, só o brilho do piso de borracha e uma luzinha vermelha do ar-condicionado. A legenda dizia “horário reservado”.

Abri o story de novo, o polegar parado em cima do teclado. Digitei um emoji, apaguei, digitei outro. Meu coração batia forte na garganta enquanto esperava o visto aparecer embaixo da mensagem. Ele abriu e respondeu rápido, quase como se tivesse esperado.

— Você viu que eu postei.

— Vi — falei, baixando o celular. O calor subiu pelo pescoço. — Achei que ia ser mais tarde.

Ele deu um passo pro lado, sem me encarar direto, e mexeu num par de halteres que nem precisava mexer.

— Pensei em você o dia todo — ele disse, a voz baixa, testando. — Se ia mesmo vir.

Ri sem graça, encostando a mão na parede fria.

— Tô aqui, né?

Ele olhou pra mim por cima do ombro, aquele sorriso de canto voltando. O ar-condicionado zumbia mais baixo, o som tinha diminuído pra gente poder ouvir melhor.

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— E seu marido? — ele perguntou, como quem muda de assunto, mas não mudava.

— Viajando. Ele foi pra viagem de trabalho ontem, nem parou pra dar tchau direito — respondi, o celular ainda na mão, o coração ainda batendo forte. — Ele nem sabe que eu tô aqui.

Ele balançou a cabeça, os braços marcando enquanto ele segurava o peso.

— Eu sei. — Ele olhou de novo, mais devagar agora, e ficou ali, o ar entre a gente parecendo mais cheio do que antes.

Márcio respondeu com um simples ‘tô te esperando’ e sorri sem conseguir disfarçar o jeito que o calor subiu pelo peito. Ele ficou ali parado, segurando o peso como se o esforço fosse mais pra me dar tempo de decidir do que pra mexer o objeto.

Dei dois passos pra frente e sentei no colchão. A borracha fria subiu pelas coxas nuas e o cheiro de borracha junto com suor dele me chegou mais forte. Márcio largou o peso e se ajoelhou ao meu lado, o joelho dele roçando a lateral do meu pé sem querer.

— Seu marido tá fora até quando? — ele perguntou, a voz baixa, como quem só testa o terreno.

— Volta só sexta — falei, puxando a perna pra cima. O short subiu um pouco. — Aí eu volto pra casa e finjo que passei a semana treinando sozinha.

Ele riu de canto, a covinha aparecendo, e olhou pra minha coxa sem disfarçar.

— Sozinha… — ele repetiu, a palavra tinha outro sentido.

Me deitei de lado, a cabeça apoiada na mão, e deixei o olhar descer pelo braço dele até as veias marcadas no antebraço. Márcio ajustou a posição, o joelho encostando mais firme agora, e senti a textura da pele dele contra a minha.

— Você sempre olha assim pra aluna? — perguntei, baixinho.

— Só quando a aluna merece atenção especial — ele disse, o sorriso demorando. — Sua coxa tá bem firme, sabia?

Ri, nervosa, e ele encostou a palma da mão aberta na minha perna, bem acima do joelho, sem apertar, só medindo.

O polegar dele parou de medir e os dedos apertaram de verdade, afundando na carne da coxa, sem pressa de soltar. Senti o calombo das calosidades roçando a pele que o short não cobria mais, e um calor desceu reto pro meio das pernas.

— Tô sentindo — ele murmurou, quase contra a minha pele. — Tá latejando aqui.

A respiração dele encostou no meu pescoço primeiro, quente e irregular, depois desceu até a curva do ombro. Fiquei parada, só escutando o zumbido do ar-condicionado junto com o som da gente respirando perto demais. O cheiro dele era mais forte agora: suor limpo junto com loção, subindo do peito dele e batendo direto na minha cara.

— Márcio… — falei, a voz rouca, sem conseguir disfarçar.

Ele não respondeu. Os olhos desceram pro decote da regata e pararam ali, olhando o jeito que o tecido fino marcava o contorno dos seios. Senti o olhar como se fosse dedo, pesado, demorando. Meu mamilo endureceu contra o tecido antes mesmo dele encostar.

Ele puxou meu quadril com uma das mãos grandes, me arrastando uns centímetros pro lado dele, e colou a boca na minha. O beijo veio faminto, língua já abrindo caminho, os dentes roçando o lábio inferior como se ele tivesse guardado essa vontade o dia todo. Abri a boca pra ele e segurei a nuca dele, as veias marcadas no braço dele tensionando.

As mãos desceram pros seios por cima da regata, apertando os dois de uma vez, o polegar roçando os mamilos duros no tecido. Ele apertou mais forte, sentindo o peso deles na palma, e gemi baixo na boca dele, o som abafado. Meu quadril se mexeu sozinho, procurando mais contato.

Ele afastou a boca só o tempo de falar, a voz grossa contra meus lábios:

— Tira isso.

Agarrei a barra da camiseta dele com as duas mãos, puxando pra cima, o tecido subindo pelo abdômen quente dele. A respiração presa ficou na garganta quando ele desceu a mão pro cós do meu short, o dedo indicador já enfiando por dentro, só testando. O ar-condicionado zumbia mais baixo, o som também tinha parado pra esperar o que eu ia fazer.

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