Voltei caminhando pela praia com ele depois do pôr do sol, o corpo ainda formigando de tanto ele me segurar o dia inteiro.
A cabeça parecia leve, mas o peito apertava. Três dias de término ainda ecoavam ali dentro, misturados com a vontade de sentir as mãos dele me segurando de novo. Cada vez que o Ítalo encostava pra corrigir minha postura na prancha, algo dentro de mim ficava mais quente, mais vivo.
A gente seguiu pela areia molhada. A água do mar subia até os tornozelos, morna, quase igual à temperatura do ar. Meus pés afundavam, e a sensação de cansaço se misturava com algo que não dava pra ignorar. Ele caminhava do meu lado, em silêncio.
Tirei o celular do bolso do short. Na tela apareceu o story de uma amiga falando do término. Li duas frases e apaguei, guardei de volta.
— Depois de três dias caindo na água, ainda não sei se aprendi kite ou só gostei de sentir suas mãos na minha cintura — falei, sem olhar pra ele.
Ele soltou uma risada baixa.
— Eu vi que você tá pegando o jeito, Paula. Só falta confiar mais no vento.
A brisa batia leve na pele, carregando o cheiro de sal e protetor. Eu sentia a areia úmida grudando nos dedos, a cada passo.
O mar fazia um barulho baixo, constante. A gente andava, os ombros quase se tocando, e eu sentia o corpo acordando pra algo que ainda não tinha nome.
A gente parou sem combinar nada. Ele simplesmente parou de andar de repente e ficou me encarando, os olhos fixos.
Eu parei junto, descalça na areia molhada, sentindo o vento empurrar o cabelo pra frente do rosto. Ele não desviou o olhar. Eu também não.
— Você aprendeu rápido, Paula. Mas confesso que segurar você foi a melhor parte da aula — ele falou, baixo.
Sorri sem querer, olhando pra água que subia até a canela dele. O mar continuava fazendo aquele barulho lento.
— E você sempre fica olhando assim pros alunos? — perguntei, tentando tirar o peso da voz.
— Só pros que quase caem três vezes no mesmo dia.
Ele riu, mas o riso saiu curto. Eu baixei os olhos pro short dele, depois subi de novo pro rosto. Ele ainda não tinha piscado.
— Essa praia vazia de noite tá me dando umas ideias perigosas — falei, mais pra mim do que pra ele.
Quer essa cena com o seu jeito?
Escrever minha versãoO vento soprou mais forte por um segundo e passou entre a gente. Ele continuou me olhando, sem responder.
Eu olhei de novo, agora sem disfarce. O short molhado colava na pele dele, marcando as coxas grossas, a linha do pau desenhando por cima do tecido. Meu olhar demorou mais do que devia. Quando subi pro rosto, ele já tinha percebido.
— Você parou de falar — ele disse, a voz mais baixa.
— É que eu tô tentando prestar atenção no que você disse antes. Sobre confiar no vento — respondi, olhando de novo pra coxa dele, sem pressa.
Ele mudou de peso na areia, um joelho flexionado, e o short subiu um pouco mais. Eu vi o músculo da coxa se marcar, a pele morena ainda com areia grudada. Ele olhou pra mim como se soubesse exatamente onde eu tinha estado com os olhos.
— E tá funcionando? — ele perguntou.
— Mais ou menos — falei. — O vento tá fácil. O resto… tá difícil de ignorar.
Ele sorriu de canto, um riso curto, quase preso na garganta. O cabelo bagunçado caía na testa dele. Eu segui a linha dos ombros largos, a forma como o peito subia, e voltei pro short. A marca estava ali, nítida. Ele não cobriu. Eu não desviei o olhar.
— Você tá me olhando como se quisesse me medir — ele falou, sem rir dessa vez.
— E se eu estiver? — devolvi.
O mar continuou seu barulho baixo, as ondas quebrando, e o vento passou de novo, agora mais frio, mas o calor que subia entre a gente não tinha nada a ver com a brisa.
A areia estava fria nos meus pés, mas o resto do meu corpo queimava. O vento cortava entre a gente e não conseguia levar embora o cheiro que vinha dele, sal misturado com protetor e suor.
Ele deu um passo e eu não recuei. A distância fechou. Eu sentia o calor saindo da pele dele, atravessando a brisa e batendo direto no meu peito. O short dele roçava de leve na minha coxa molhada.
— Ia fazer exatamente o que você tá querendo agora — ele disse, a voz baixa, quase sem força.
Minha boca ficou seca. Eu engoli, sem resposta. A respiração dele bateu na minha bochecha, quente e irregular. Eu olhei pra boca dele, depois pro queixo, e voltei. Ele não piscava.
A mão dele subiu até a minha cintura. Os dedos calejados apertaram por cima da blusa fina. Eu senti cada calosidade. Ele me puxou de uma vez. Eu tropecei um passo pra frente e a gente colidiu.
O beijo veio forte. A língua dele entrou, procurando a minha. Eu respondi abrindo mais a boca, sentindo o gosto de sal e o calor que ele soltava. O barulho do mar sumiu por um segundo.
As mãos dele desceram pelas minhas costas, pesadas, marcando caminho por cima do tecido. Eu arqueei sem querer, colando o corpo no dele. A blusa grudou na pele úmida e eu senti cada dedo apertando.
Eu levantei as mãos e apertei o peito dele por cima da camisa. O tecido estava encharcado de suor e água do mar. O músculo duro flexionou sob os meus dedos. Eu passei as unhas de leve, sentindo o peito subir e descer mais rápido.
Ele roçou o nariz no meu, respirando curto. As mãos desceram mais, apertaram minha bunda por cima do short molhado. Eu soltei um som rouco contra a boca dele. A blusa subiu um pouco na minha barriga.
Ele puxou mais forte. Eu subi na ponta dos pés, abraçando o pescoço dele. A respiração dele ficou presa contra a minha. A blusa continuou subindo, o ar da noite tocando a pele quente do meu quadril.

