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Noite de estranha

por Cris Andrade · 28 de set. de 2026

Cheguei ao bar com o corpo ainda carregando o cansaço do dia na farmácia e o coração acelerado com o jogo que a gente combinou. O vestido novo marcava cada curva, e a peruca ruiva esquentava a nuca. Senti o peso das próprias coxas contra o tecido, o coração batendo forte na garganta.

Entrei no bar com o corpo tenso de expectativa. O cheiro de madeira velha misturado com cerveja derramada me acertou de primeira, junto com o jazz baixo que saía dos alto-falantes. Atrás do balcão, o balde de gelo tilintava sem parar.

Sentei num banco alto do balcão e pedi um gim. O copo veio frio, gelado contra a palma da minha mão. Apertei ele um segundo a mais antes de levar à boca.

Olhei em volta devagar, reparando nos rostos. Nenhum conhecido ainda. O risco de topar com alguém da farmácia continuava no ar, misturado com o gelo tilintando.

— Oi, vim sozinha hoje, a cidade parece mais quente que o normal — falei pra ele, sem encarar direto.

Ele sorriu de canto, só um lado da boca, e respondeu com a voz grave:

— É, tá quente mesmo. Você também parece.

Segurei o copo com as duas mãos, sentindo o frio subir pelo braço, e deixei o olhar demorar nele um pouco mais.

Ele se aproximou pelo lado, pediu uma cerveja e me olhou de lado por mais tempo que o normal. Senti o olhar dele no perfil antes mesmo de virar o rosto. O gelo tilintou no copo quando ele encostou o braço no balcão, perto do meu, sem tocar.

— Sou engenheiro, só de passagem — ele disse, com a voz grave baixinho, quase um segredo. — E você, qual é a sua história?

Ri de canto, sem querer, e deixei o copo girar devagar entre os dedos.

— Lorena. E você? Parece que já viajou bastante, conta uma coisa que aconteceu na última cidade.

Ele tomou um gole da cerveja, e vi a espuma grudar no canto da boca, logo abaixo da barba por fazer. As mãos grandes dele seguravam o copo como se ele precisasse de um pouco de firmeza. Reparei na linha do maxilar, na forma como a barba por fazer deixava a pele um pouco mais escura ali.

— Teve um bar parecido com esse, só que mais apertado — ele contou, rindo sem graça. — Pedi uma cerveja e o dono trouxe uma que ele mesmo fabricava. Tinha gosto de... nada. Só que ele ficou me olhando como se eu tivesse ofendido a mãe dele quando não terminei.

Sorri de verdade agora, e o calor subiu mais um pouco pelo meu pescoço. O jazz continuava baixo, misturado com o som de vozes distantes no fundo do bar. Deixei o olhar dele demorar no meu rosto, e depois desceu devagar, quase sem disfarce, até as minhas mãos no balcão.

— E você terminou? — perguntei, só pra continuar o assunto.

— Terminei. Por educação — ele respondeu, e o sorriso de canto apareceu de novo. — Mas juro que quase devolvi.

Ri baixo, sentindo o olhar dele ainda em mim, mais demorado agora. O balde de gelo tilintava atrás do balcão, e percebi que minhas mãos estavam quentes de novo, mesmo segurando o copo frio. Ele não tirou os olhos.

Olhei o celular só por hábito, a tela iluminando baixo contra o balcão. O story que ele tinha postado mais cedo apareceu na hora, uma foto do copo dele encostado no balcão do bar. Sorri sozinha, o tipo de sorriso que fica só de um lado da boca, e senti o calor subir de novo pelo pescoço.

Ele reparou que eu olhava pra tela. Apertei o botão de desligar depressa, mas o reflexo ficou na cara dele. Ele tomou mais um gole de cerveja e deixou o copo descer devagar, como se estivesse pensando se valia a pena perguntar.

— O que foi que te fez sorrir assim? — ele perguntou, a voz grave saindo mais baixa agora.

Girei o copo entre os dedos, sentindo o gelo derretendo. O jazz continuava baixo, e pensei por um segundo em falar a verdade.

— Nada não. Só uma coisa que eu vi no story de alguém.

Ele riu de canto, sem mostrar os dentes. A barba por fazer marcava a linha do maxilar quando ele virou o rosto um pouco pra mim.

— História boa ou ruim?

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— Boa. Só que eu ia mandar uma mensagem e desisti.

Ele encostou o braço no balcão de novo, mais perto dessa vez. O calor do corpo dele misturado com o cheiro de madeira velha do balcão me fez respirar mais fundo sem querer. Segurei o celular na bolsa por um segundo a mais, sentindo o peso do aparelho contra a palma da mão.

— E o que ia escrever? — ele perguntou, curioso de verdade agora.

Ri baixo, o tipo de riso que sai quando a gente tá se segurando.

— Uma coisa neutra. Tipo perguntar se a cerveja dele ainda tinha gosto de nada. Mas ia parecer que eu tava espionando.

Ele olhou pro próprio copo, depois pra mim. Os olhos demoraram no meu colo um segundo antes de subir de novo pro rosto. Senti o olhar como se ele tivesse encostado de verdade. O balde de gelo tilintou atrás do balcão quando o barman serviu outro cliente.

— E você ia mandar mesmo? — ele quis saber.

— Ia. Mas apaguei antes de apertar enviar.

Deixei a mão cair no colo, sentindo o tecido do vestido contra a palma. Ele não tirou os olhos do meu rosto. O jazz baixou ainda mais, e percebi que o bar estava mais vazio do que quando eu tinha chegado. O risco de alguém me ver continuava no ar, misturado com o calor que subia pelo meu pescoço e descia pelo meio das pernas.

Ele limpou o canto da boca com o polegar, o gesto lento, e reparei no tamanho da mão dele contra o rosto. A barba por fazer marcava a pele ali, e imaginei por um segundo como seria sentir aquela textura contra a minha. Ele percebeu que eu olhava e sorriu de novo, só de canto.

— Bom que você apagou — ele falou, a voz saindo rouca sem querer. — Porque eu ia responder alguma coisa que ia te fazer corar.

Segurei o copo com mais força, sentindo o gelo derretido escorrer pela lateral. O calor subiu mais um degrau pelo meu pescoço, e deixei ele me olhar sem disfarçar dessa vez. O jazz continuou tocando baixo, e nenhum dos dois se mexeu pra encostar.

Ele se inclinou um pouco mais no balcão, o braço quase encostando no meu, e perguntou se eu era de Campo Grande. A voz grave saiu mais baixa que o normal, como se ele precisasse de coragem pra perguntar.

— Você é daqui de Campo Grande?

Respondi que não, que era de fora, e ele sorriu de canto de novo, a barba por fazer marcando a pele quando ele virou o rosto. Respirei fundo e senti o cheiro dele misturado com o de madeira velha do balcão.

Ele se aproximou mais, o corpo inclinando na minha direção, e senti a respiração quente dele no meu ombro quando ele se curvou pra pegar algo no balcão. O calor subiu pelo meu pescoço de novo, e segurei o copo com mais força pra não demonstrar.

— Desculpa, só pegando uma coisa — ele falou, a voz rouca perto da minha orelha.

Ri baixo de alguma coisa que ele disse depois, uma piada besta sobre o barman, e quando virei o rosto quase encostei meus lábios nos dele. O olhar dele prendeu no meu por um segundo a mais, e senti o coração batendo forte no peito. Ele chamou o barman, pagou minha bebida sem perguntar, e depois olhou pra mim com o sorriso de canto.

— Qual hotel você tá?

Levantei do banco, sentindo o tecido do vestido marcando as coxas, e caminhei pro corredor mais escuro que levava ao banheiro. Ele veio atrás, o passo mais lento que o meu, e quando parei pra olhar pra trás, ele me encostou contra a parede de tijolos.

— Não consigo mais esperar — ele disse, rouco.

A boca dele desceu na minha com força, a barba por fazer arranhando a pele do meu queixo enquanto ele segurava meu rosto com uma mão. Abri a boca e deixei ele me beijar, sentindo o gosto de cerveja na língua dele. A palma grande dele desceu pelas minhas costas, apertando a cintura por cima do vestido fino, e encostei o corpo todo no dele.

Ele apertou minha bunda com a outra mão, o tecido do vestido subindo um pouco com os dedos. Gemi baixo na boca dele, sentindo o pau dele duro contra minha barriga, e segurei no pescoço dele pra não cair. A respiração dele saiu pesada, e senti o coração dele batendo forte contra o meu peito.

— Sua boca é gostosa — ele falou contra meus lábios, a voz sumindo no meu ouvido. — Queria te comer aqui mesmo.

Abri as pernas um pouco, deixando ele encostar mais, e senti a mão dele apertando minha bunda com mais força. O pau dele pulsava contra mim, e me esfreguei devagar, sentindo o tecido do vestido molhar entre as coxas.

— Gostoso... — falei, rouca, segurando o braço dele. — Tô molhada pra você.

Ele beijou meu pescoço, a barba arranhando a pele sensível ali, e segurei a cabeça dele contra mim. O pau dele pressionava contra minha barriga, duro, e desci a mão devagar, sentindo o volume por cima da calça.

— Me toca — pedi, a voz falhando. — Por cima.

Ele apertou minha bunda com mais força, os dedos marcando a carne através do tecido fino. Segurei o pau dele pela calça, apertando devagar, sentindo ele pulsar contra minha palma. A respiração dele ficou mais pesada, e ele mordeu de leve no meu pescoço.

— Tô louco pra te comer — ele falou, a voz grossa.

Apertei o pau dele com mais força, sentindo ele latejar contra meus dedos. Ele me beijou de novo, a língua entrando na minha boca, e gemi baixo, sentindo o pau dele pulsar mais forte. O vestido subiu um pouco mais com os dedos dele apertando minha bunda, e segurei ele contra mim, sentindo o calor subir pelo meu corpo inteiro.

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