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Casada há 22 anos, e o médico deixou o telefone particular

por Gabi Sena · 28 de set. de 2026

Cheguei em casa depois da consulta com o corpo ainda tremendo e o peito apertado.

Fiquei na sala um tempo, sem conseguir tirar os sapatos. A luz do entardecer entrava pelas cortinas e batia no chão de cerâmica, mas eu não via direito. Meu coração parecia que ia sair pela boca.

Sentei na cozinha e puxei o papel que o recepcionista me deu. O número do celular dele estava ali, escrito à mão, embaixo do nome Heitor. Passei o dedo por cima, sentindo o relevo da caneta.

O ar-condicionado da casa zumbia igualzinho ao do consultório, e aquilo me deu um frio na barriga. O risco parecia maior agora, dentro do meu espaço, com a porta fechada. Eu não conseguia parar de pensar que ele tinha me visto chorar.

Peguei o celular e abri a conversa nova. Fiquei olhando o cursor piscando um tempo. O silêncio da casa era tão grande que eu conseguia escutar meu próprio coração batendo.

— Doutor, aquela pergunta me pegou de jeito, nunca chorei assim na vida.

Apaguei. Digitei de novo. Apaguei outra vez. Na terceira vez, mandei sem ler. Meu dedo ficou em cima do botão de enviar por mais um segundo, como se ainda desse tempo de voltar atrás.

O celular vibrou em cima da mesa da cozinha. Olhei a tela, respiração presa, e abri a mensagem dele. Tinha só um emoji de sorriso e um “oi”. Fiquei olhando aquilo um tempo, sem saber direito o que responder.

— Eu não devia ter deixado meu número, mas não consegui evitar.

A mensagem apareceu logo em seguida. Meu peito apertou. Li duas vezes antes de responder. O ar-condicionado da casa zumbia de novo e eu sentia que o som estava dentro do meu peito.

Passei o resto da tarde com o celular por perto, esperando. Quando a resposta dele chegou, era sobre um paciente que tinha cancelado. Respondi alguma coisa sobre o meu dia. Ele escreveu de volta rápido. A conversa ficou ali, leve, quase como se a gente ainda estivesse no consultório.

Nos dias seguintes o celular virou uma coisa que eu carregava pra todo lado. Ele mandava foto de um livro que estava lendo no intervalo. Respondia com um áudio falando do trânsito. Ele mandava outro áudio, voz grave e baixa, comentando sobre a música que tinha tocado no rádio. Ouvi três vezes.

As mensagens foram ficando mais longas. Contava que tinha acordado cedo pra trabalhar e ele respondia que tinha pensado nisso enquanto tomava café. Ria sozinha no quarto. Ele mandava foto de um café que parecia igual ao meu.

Uma noite, quando eu já estava deitada, ele perguntou o que eu tinha feito no fim de semana. Respondi que tinha ficado em casa, assistindo série. Ele mandou um áudio dizendo que também tinha ficado em casa e que tinha pensado em mim enquanto via o noticiário. Escutei o áudio três vezes antes de responder.

— Faz tempo que ninguém me pergunta sobre prazer de verdade.

Mandei isso sem pensar muito. Quando a resposta dele apareceu na tela, era só um ponto de interrogação. Meu rosto esquentou. Digitei que era uma piada e apaguei. Mandei outra coisa sobre trabalho. Ele não voltou pro assunto. A conversa continuou sobre o dia dele, sobre o meu. Mas percebi que ele demorava mais pra responder depois daquela mensagem.

O celular vibrou de novo. Abri a conversa. Ele tinha mandado uma foto de um pôr do sol que tinha visto do consultório. Respondi que era bonito. Ele mandou um áudio curto dizendo que tinha tirado a foto pensando em mandar pra mim. Escutei duas vezes, deitada no escuro do quarto. Depois mandei um áudio também, só um riso e um “valeu”. Fiquei com o celular na mão um tempo, olhando a foto.

Depois digitei que queria vê-lo de novo e perguntei se ele atendia de noite. A resposta dele veio rápido, só um sim e o horário que dava pra deixar o consultório em silêncio.

Combinei de ir depois das nove, quando a faxina já tivesse saído. Ele falou que ia deixar a porta dos fundos aberta, a de sempre, e que ninguém ia notar. Li a mensagem duas vezes, depois apaguei a conversa inteira. Meu peito ficou apertado, mas eu já sabia que ia.

Naquela noite troquei de roupa três vezes. Escolhi a blusa de algodão mais fina, a que grudava um pouco no suor, e uma calça jeans que eu usava quando queria me sentir mais em casa. Passei perfume só no pulso. Quando saí, o carro pareceu silencioso demais.

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Cheguei antes dele. A porta dos fundos estava encostada e o corredor estava escuro, só a luz do escritório dele vazando por baixo da porta. Meu coração batia forte. Entrei devagar, fechei atrás de mim e fiquei no meio da sala de espera.

Sentei na cadeira de couro sintético, as pernas cruzadas, o celular na mão sem olhar pra tela. O ar-condicionado zumbia baixo, igualzinho na consulta, mas agora parecia mais perto. Eu sentia o frio no ar passando pela blusa fina. Minhas coxas tremiam um pouco, sem motivo.

Ouvi a porta do consultório abrir. Ele apareceu no corredor, de jaleco branco por cima da camisa, a barba por fazer mais marcada na luz fraca. Os ombros largos preenchiam o batente. Parou quando me viu, como se estivesse surpreso de eu ter vindo de verdade.

— Eu fiquei pensando se você ia mesmo vir — ele disse, a voz grave quase baixa. — Não sei por que imaginei que você ia mudar de ideia na última hora.

Ele deu dois passos pra dentro da sala e parou de novo, como se não soubesse se podia se aproximar mais. A luz do corredor batia de lado no rosto dele, deixando uma sombra suave na barba. Olhei pro jaleco, pro jeito que a manga subia um pouco no pulso grosso. Ele olhou pra minha boca um segundo a mais e depois pro chão.

— Eu quase voltei pra casa duas vezes — respondi, ainda sentada, as mãos apertando o celular. — Mas o carro já tava andando sozinho.

Ele sorriu, pequeno. Depois olhou de novo pra mim, demorando nos meus ombros, na blusa que marcava um pouco o sutiã. Senti o olhar dele como se ele tivesse tocado. Pigarreou.

— Quer sentar lá dentro? O ar é melhor.

Levantei devagar, sem tirar os olhos dele. A cadeira rangia debaixo de mim. Quando passei por ele no corredor, meu braço roçou no dele e senti o calor da pele dele através do jaleco. Ele não se mexeu. Parei na porta do consultório e olhei pra trás.

Ele estava me olhando de novo, a boca um pouco entreaberta, os olhos escuros na luz fraca. O ar-condicionado zumbia mais baixo ali dentro, quase um sussurro. Entrei primeiro. Ele fechou a porta atrás de nós e ficou um segundo com a mão no puxador, como se estivesse se segurando pra não se mexer.

Soltou o puxador devagar, como se cada movimento fosse pensado duas vezes. Virou pra mim e parou a poucos passos. A luz do corredor caía de lado no jaleco branco, marcando os ombros largos, a barba por fazer mais escura que de dia. Fiquei perto da maca, sentindo o ar gelado do ar-condicionado passar pela blusa fina e arrepiar minha pele.

Ele deu mais um passo. Eu não me mexi. O espaço entre nós foi diminuindo devagar, o cheiro de álcool e papel esterilizado misturado com o cheiro dele, algo quente, limpo, que vinha da pele. Minha respiração ficou mais curta sem eu perceber. Parou tão perto que senti o calor saindo do jaleco, o leve roçar do tecido contra minha blusa.

— Você tá me deixando louco com essa calça — ele murmurou, a voz baixa, quase rouca.

Ergui o rosto. A boca dele estava a um dedo da minha, a respiração dele batendo quente na minha bochecha. Meu corpo inteiro pareceu travar, como se qualquer movimento pudesse quebrar o momento. Eu sentia o próprio coração batendo forte na garganta, o ar-condicionado zumbindo baixo ao fundo.

Inclinei a cabeça um pouco, o suficiente pra quase encostar. Fechei os olhos, sentindo o cheiro da barba por fazer, a proximidade dos lábios dele. Meu corpo se inclinou sem pensar, os seios roçando de leve no jaleco dele, mas nenhum de nós fechou a distância. Ficamos ali, congelados, sentindo o quase como se fosse algo sólido entre nós.

Soltou o ar, um gemido baixo que saiu quase contra a minha boca. Em seguida, as mãos grandes dele seguraram meu rosto e me puxaram com força, a barba arranhando meu queixo quando a boca dele encontrou a minha. O beijo foi urgente, úmido, os lábios dele pressionando os meus com uma fome que não combinava com a calma da voz.

Desceu as mãos pelas minhas costas, devagar, sentindo o tecido fino da blusa grudado no suor. Chegou na calça, apertou minha bunda com as palmas quentes, os dedos grandes abrindo e fechando como se quisesse sentir cada curva por cima do jeans. Encostei mais nele, sentindo a rigidez do pau dele pressionando contra minha barriga, duro, quente, latejando contra o tecido da calça.

— Eu não consigo parar — ele falou contra minha boca, a voz grossa, quase um sussurro.

Passei os braços pelos ombros dele, puxando o jaleco, sentindo o peso dos músculos por baixo da camisa. Apertou minha bunda de novo, me puxando contra ele, e senti o pau dele esfregar devagar, uma vez, duas, como se ele não conseguisse controlar. Meu quadril se moveu sozinho, respondendo, sentindo o calor e a pressão através das roupas.

Soltou uma das mãos da minha bunda e subiu pelo lado do meu corpo, os dedos quentes deslizando por cima da blusa até encontrar o contorno do meu peito. Apertou por cima do sutiã, o polegar passando devagar sobre o bico que já estava duro, sentindo tudo através do algodão. Gemi baixo contra a boca dele, as pernas tremendo um pouco, sentindo o pau dele pulsar contra mim a cada respiração.

Me virou devagar, me encostando contra a maca de exame. A mesa fria tocou minhas costas através da blusa, contrastando com o calor das mãos dele que desciam de novo pra minha saia. Apertou minha bunda com as duas mãos agora, puxando meu quadril contra o dele, o pau dele duro e grosso pressionando contra minha barriga baixa, a respiração dele curta e quente no meu ouvido.

— Você não faz ideia do que eu quero fazer com você — ele falou, rouco, os dedos apertando minha saia como se quisessem rasgar o tecido. — Já faz dias que eu penso nisso toda noite.

Abri as pernas um pouco, deixando ele ficar mais perto, sentindo o pau dele encaixar melhor contra mim. Gemeu baixo, os quadris se movendo devagar, quase imperceptível, esfregando devagar contra minha barriga. Minhas mãos desceram pelas costas dele, sentindo a tensão dos músculos através da camisa, o jaleco aberto e caindo um pouco dos ombros.

Beijou meu pescoço, os lábios quentes descendo devagar até o colarinho da blusa. Uma das mãos dele subiu pela lateral do meu corpo e parou no zíper da calça, os dedos grossos segurando o metal frio sem puxar. Senti o pau dele pulsar de novo contra mim, mais forte agora, a respiração dele presa no meu ouvido enquanto os dedos dele apertavam o cós da minha saia, segurando, esperando, sem conseguir parar.

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