Cheguei na casa da Cecília com o corpo ainda quente da caminhada, tava com uma ansiedade que não dava pra disfarçar. O sol batia forte na calçada branca, o mar lá embaixo fazia aquele barulho baixo de sempre, e o quadril tava travado da aula de ontem. O incenso de sândalo saía pela porta entreaberta misturado com o sal do vento. Meu peito subia e descia mais rápido do que devia.
Cecília apareceu na sala de ioga ainda com o rosto úmido, o cabelo castanho preso num coque frouxo, alguns fios grisalhos soltos na nuca. A legging preta marcava a cintura e os ombros bronzeados apareciam por cima do top. Ela sorriu de leve, como quem já esperava.
— Que bom que você topou vir dar aula particular, Bruna. Minha rotina de executiva anda uma loucura.
Respondi alguma coisa, mas a voz saiu baixa. Deixei o tapete cair no chão, segurei a barra da legging um segundo a mais do que precisava. O tapete de ioga roçou nos joelhos quando me agachei pra arrumar a posição.
— Você costuma treinar aqui em casa?
— Às vezes. Hoje o mar tá tão bom que quase desço pra nadar antes.
O vento passou entre a gente e balançou as cortinas. Ajeitei o tapete do meu lado, ela do dela, sem pressa, sem encostar. O som das ondas chegava mais claro agora que a janela estava aberta. Cecília respirou fundo, os ombros subiram e desceram. Fiquei de joelhos, o tecido áspero do tapete marcando a pele através da legging.
Cecília começou a se mexer devagar, abrindo os braços, alongando o pescoço. Fiquei atrás, só olhando, e não consegui tirar o olho das costas dela. Cada movimento fazia os músculos aparecerem e sumirem de novo, e percebi que tava prendendo a respiração.
— Como é ser professora de ioga? Você dá aula em outros lugares além da academia?
Demorei um segundo pra responder, tentando focar na pergunta e não na pele bronzeada que aparecia cada vez que o top subia um pouco.
— É bom. Gosto do silêncio, de ver as pessoas respirando juntas. Mas às vezes é cansativo ficar repetindo a mesma coisa.
Ela riu baixo, sem tirar o olhar do espelho. Mexi também, tentando copiar a postura, mas o olhar dela me pegou de novo. Dessa vez durou mais do que precisava. O sol entrava forte pela janela, iluminando os fios grisalhos que escapavam do coque, e percebi que ela tinha reparado que eu estava olhando.
Cecília inclinou o tronco pra frente, tentando alcançar os dedos dos pés, e me ajoelhei atrás pra corrigir a curva da coluna. O calor que vinha dela misturava com o cheiro de sândalo que ainda pairava na sala, e me vi encostando um pouco mais do que o necessário.
— O que você fazia antes de ser professora de ioga?
Falei baixo, perto do ombro dela, e a voz saiu mais rouca do que pretendia.
— Eu trabalhava num escritório, daqueles que te comem viva. Um dia acordei e percebi que tava sonhando com o Excel ao invés de sonhar com alguma coisa boa. Aí larguei tudo e vim pra cá.
Ela virou a cabeça só um pouco, o suficiente pra eu ver o canto do sorriso. O sol batia direto na pele bronzeada do pescoço e não conseguia parar de olhar.
— E agora você sonha com o quê?
Quer essa cena com o seu jeito?
Escrever minha versãoA pergunta ficou no ar. Fiquei quieta, sentindo o cheiro salgado que vinha dos lábios dela, e o som das ondas lá embaixo pareceu ficar mais alto.
— Com coisas que eu não devia.
Cecília soltou o ar devagar, os ombros desceram e percebi que ela não tinha se afastado. O tapete rangia de leve quando a gente se mexia. Passei a mão no ar, como se fosse ajustar a postura, mas parei antes de encostar.
— Você sempre olha tanto assim pras suas alunas?
Ela disse isso com um riso baixo, quase tímido, e senti o rosto quente.
— Só quando a aluna vale a pena.
O vento balançou as cortinas de novo e o sol continuou batendo forte. Fiquei ali, tão perto que dava pra sentir a respiração dela no rosto, esperando o próximo movimento sem ter coragem de dar.
Cecília virou o rosto devagar. O nariz dela roçou no meu, a pele quente e um pouco úmida do esforço. Não recuei. Meu joelho esquerdo escorregou um centímetro no tapete, o tecido áspero roçando a pele, e fiquei ali, sentindo o ar quente saindo da boca dela.
— Você respira rápido quando tá nervosa — ela falou, quase um sussurro, o tom rouco.
Ri baixo, sem conseguir responder. Nossa respiração bateu junta por alguns segundos, o peito subindo e descendo no mesmo ritmo. O cheiro de sândalo misturado com sal do mar ficava preso entre a gente. Sentia o coração dela batendo forte no meio das costelas.
— E você? — consegui dizer, a voz falhando. — Tá calma?
Cecília inclinou a cabeça só um pouco. Os lábios tocaram os meus devagar, sem pressa, como se ela tivesse todo o tempo do mundo. O gosto salgado do mar ainda estava ali, misturado com algo doce que ela usava. Fechei os olhos e deixei o corpo ir na direção dela.
Minhas mãos desceram pelas costelas dela por cima do top, sentindo o tecido fino e o calor que vinha da pele. Cecília segurou minha nuca com aquela mão comprida e cuidadosa, os dedos entrando de leve no cabelo. O beijo continuou lento, a língua dela tocando a minha só de vez em quando, testando.
— Você tem ideia do quanto eu quis isso? — ela murmurou contra minha boca, a voz baixa.
O beijo ficou mais profundo. Abri os lábios e ela entrou, a língua quente, o corpo dela relaxando contra o meu. Meu quadril se mexeu sem querer, encostando mais no dela, e senti o tecido da legging dela roçando contra a minha.
— Me conta — falei, rouca, sem conseguir parar de beijar o canto da boca dela.
As mãos dela desceram pelas minhas costas, apertando a pele por cima da roupa, e puxei ela mais pra perto. O tapete rangia de leve debaixo da gente. O sol batia direto nas nossas pernas, o calor da manhã misturando com o calor que vinha de dentro.
— Desde a primeira aula — ela respondeu, os dedos apertando minha cintura. — Você ficava atrás de mim, corrigindo, e eu só conseguia pensar em virar e te puxar.
Ri contra a boca dela, sem conseguir parar. Minha mão subiu pelo lado do corpo dela, sentindo a curva do peito por cima do top, o mamilo já duro contra o tecido. Cecília soltou um som baixo, quase um gemido, e repeti o gesto, mais devagar.
— E agora? — perguntei, os dedos parando na cintura dela.
Ela não respondeu com palavras. O beijo voltou, mais urgente, e as mãos dela desceram até o cós da minha legging. Senti os dedos pararem ali, sem entrar, só pressionando, e o corpo inteiro pareceu se concentrar naquele ponto. O som das ondas lá embaixo parecia mais alto agora, ou talvez fosse o sangue batendo nos ouvidos.
Nossos corpos ficaram colados no tapete, o beijo ainda quente, as mãos passeando por cima da roupa, a respiração presa de expectativa.

